JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Para que tenhamos condições de alimentar o debate
do nosso forum, sempre estamos na busca de notÃcias dos diversos clubes de
futebol do Brasil, principalmente aqueles que passam por fase de
instabilidade.
Um clube sócio-esportivo não tem fins lucrativos, mas tem que ter rentabilidade financeira, e os seus lucros utilizados em seu patrimônio.
São verdadeiras empresas e devem ser administrados como tal, pois são prestadores de serviços, vendem seus produtos e suas marcas, e possuem dezenas de fornecedores.
Nenhuma dessas agremiações podem dispensar um planejamento de pelo menos cinco anos, que poderá ser corrigido durante o caminhar. Um orçamento anual é a pedra fundamental para uma boa gestão, se realmente for cumprido.
Os clubes brasileiros gastam mais do que ganham. Fazem investimentos pensando em receitas futuras, e quando essas não chegam a crise é instaurada.
Temos um exemplo bem latente que é o Vasco da Gama, que somente agora despertou para a necessidade do equilÃbrio financeiro, e já começa a tomar uma série de medidas que deveriam estar implantadas há muito tempo, e que apenas agora, após tantos problemas, estão sendo estudadas.
Após a saÃda de três vice-presidentes do clube em setembro, a diretoria, totalmente sem rumo, resolveu convocar especialistas da área econômica para esta missão.
Para que se tenha ideia da máquina administrativa que foi inchada principalmente na gestão de Roberto Dinamite, hoje tem mais ou menos 100 pessoas totalmente dispensáveis e que oneram a sua folha salarial, que conta hoje com 600 funcionários, que é a maior do Rio de Janeiro.
Com uma folha de futebol de R$ 4 milhões que poderia ser reduzida para R$ 3 milhões com maior qualidade, o dinheiro do clube é jogado pelo ralo.
Só nesses itens verificamos o quanto é a irresponsabilidade dos cartolas quando estão à frente de suas agremiações. O interessante é que muitos desses são empresários e não utilizam tais procedimentos em suas empresas.
O clube torna-se o seu brinquedinho, que acolhe os apadrinhados e indicados pelos amigos. Um bom administrador usa a razão e não o coração.
Muitas vezes pequenas coisas em um planejamento se tornam grandes, tais como o controle do desperdÃcio de energia, que em alguns casos onera o clube, e se bem tratada apresenta uma redução de custos se faz sentir no final em seu balanço.
Um departamento de futebol deve ser planejado segundo as estimativas das receitas, e as normas financeiras são bem claras quando definem os seus custos na relação de 60% dessas.
Não se pode ter uma folha de R$ 2 milhões, quando a sua disponibilidade é para R$ 1.5 milhões. As contratações são exageradas e as bases minimizadas. Deveria haver uma maior participação dessas, que ajudam a compor um elenco, e sobretudo a reduzir os custos de sua folha de pagamento.
Nenhum clube poderá se tornar grande se não entender que o equilÃbrio financeiro é fundamental para o seu sucesso, e o cumprimento de um planejamento a longo prazo o levará para melhores dias.
Existem clubes que são verdadeiros poços de petróleo, que bem explorados irão produzir milhões de barris, mas para que isso aconteça tem que ter um gerenciamento de técnicos competentes e sobretudo profissionais.
A época do amadorismo já faz parte de um passado quase remoto, e insistir nisso é um atestado de incompetência e burrice, desde que nenhum clube foi constituÃdo para ter prejuÃzos, pois foge totalmente da racionalidade da economia.
Em outras palavras, ¨cada macaco em seu galho¨, e os amadores não cabem mais no sistema.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








