* Artigo escrito por Rodrigo Barp e publicado no site Universidade do Futebol.
O Partido Comunista, na China, escolheu e empossou seus novos lÃderes do paÃs para os próximos 10 anos.
Isso mesmo. Na próxima década, o Grande Dragão terá os mesmos comandantes como responsáveis pelos rumos estratégicos nacionais.
São sete pessoas que compõem o Comitê Central, mas o grande protagonista é o chamado Secretário-Geral.
Em 10 anos, acontece muita coisa. Boa e ruim.
Em 10 anos, a estabilidade dentro de uma instituição pode servir para acomodar e escamotear práticas desastradas de gestão. Ou elevá-la a um patamar de crescimento e evolução.
Podemos mencionar alguns dos exemplos.
O SC Internacional dos últimos 10 anos.
Escapou do rebaixamento, num dramático jogo contra o Paysandu, na última rodada do Campeonato Brasileiro.
No meio desse perÃodo, foi bicampeão da Libertadores, campeão mundial e duas vezes vice-campeão nacional. Construiu um ciclo virtuoso.
O Palmeiras foi rebaixado em 2002. Perambulou pelo meio das tabelas das competições que disputou e, agora, está matematicamente rebaixado novamente. Não conseguiu se organizar como poderia e deveria.
Um caso interessante é o futsal. Não no Brasil, mas na Espanha.
Quando fui lá jogar, em 1995, no Deportivo La Coruña, com breve perÃodo no Egasa Coruña Futsal, o futsal já dava mostras de grande organização interna, contando também com jogadores brasileiros nas principais equipes profissionais.
Porém, ainda não havia grande protagonismo internacional e quase nenhum brasileiro naturalizado, bem como nenhuma conquista importante dos clubes.
Por outro lado, percebi, nitidamente, que a sede de aprender com o Brasil, berço do futsal mundial, era cada vez maior.
Abriram-se a portas, nos anos seguintes, ao intercâmbio técnico com nosso paÃs.
Os resultados começaram a ser medidos de forma bastante objetiva.
Antes de ser derrotada pelo Brasil, neste domingo, na Copa do Mundo de Futsal, a seleção espanhola %u2013 que conta com dois brasileiros naturalizados %u2013 não perdia havia sete anos.
Ou, em 120 jogos, 107 vitórias e 12 empates...
E, dos 24 técnicos deste Mundial, cinco eram oriundos da Academia de Formação de Treinadores da Espanha.
O futsal espanhol foi pra escola em 10 anos. E, há 10 anos, vem fazendo escola.
Em 15 anos, foi cinco vezes campeão da Uefa. Bicampeão mundial e três vezes vice-campeão.
Deng Xiaoping, famoso lÃder chinês do século XX, profetizava: %u201CQuando os nossos milhares de estudantes no estrangeiro voltarem para casa, vocês verão como a China irá se transformar%u201D.
Hoje em dia, são 1,6 milhão de chineses estudando fora do paÃs. Aprendendo com novas técnicas, culturas, processos, instituições.
Provavelmente, para depois ensinar bastante.
O futebol brasileiro sofre também de uma grave crise: a soberba da autossuficiência.
Se não soubermos aprender e promover intercâmbio de conhecimento, não saberemos ensinar.
* Rodrigo Barp é advogado graduado pela UFPR, Pós-graduado em Direito de Negócios Internacionais (UFSC) e graduado em Marketing Esportivo (UNICE).

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









