JOSÃ JAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Uma pergunta que constantemente ouvimos está
relacionada à sazonalidade de nossos clubes do interior, principalmente, a falta
de uma maior participação no futebol nacional.
Nesse contexto, a queda do Salgueiro da Série¨B¨ para a ¨D¨, é sem dúvidas um dos pontos mais focados, e objeto de muita discussão, sobretudo por conta da comparação com o futebol de Santa Catarina, que mesmo perdendo um clube para a segunda divisão, está praticamente cobrindo a lacuna com um outro, que é de uma cidade do interior do estado, o Criciúma.
Na verdade o clube sertanejo é um daqueles que começaram de cima para baixo, sem raÃzes profundas para que pudessem segurá-lo. Com pouco tempo chegou à Série B Nacional, e com a mesma brevidade, voltou à s suas origens, ou seja, a Série D.
Um clube para se solidificar necessita de uma base bem estruturada, e não somente um time que vai ao campo de jogo. Não pode sobreviver às custas de pessoas, ou de entidades públicas e, em nosso caso, do dinheiro estatal do Todos com a Nota.
Tem que fincar as raÃzes com um quadro social, com patrocinadores e sobretudo com um trabalho de formação de atletas.
Com exceção do Porto de Caruaru, nenhum outro time do interior tem um trabalho de base, e muito menos um Centro de Formação. Contratam por quatro meses e depois hibernam por mais oito na espera do próximo estadual.
O maior exemplo que temos é do Central de Caruaru. Sediado em uma importante cidade, e de uma fértil região metropolitana, com uma demanda cativa, seus dirigentes nunca souberam aproveitar dessa situação, e não ousaram planejar para torná-lo grande e até hoje continua penando no limbo do futebol nacional.
Quando um desses clubes interioranos disputam as divisões nacionais, o fazem apenas por obrigação de cumprimento de tabela e nunca para atingirem maiores objetivos.
Quando existe citações ao estado de Santa Catarina, na verdade, o seu interior tem maiores condições do que os nossos, pois são formados por cidades com sólidas economias, e que refletem em seus clubes.
O que falta ao futebol interiorano de Pernambuco é a visão que ultrapasse as nossas fronteiras, através de uma planificação de seus clubes, melhorias dos estádios e sobretudo que esses se tornem um centro produtor de novos talentos.
Uma árvore sem raiz profunda não se sustenta, e qualquer vento forte a derruba, e isso é o que acontece com os nossos clubes do interior.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










