JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Embora tenham recebido vultosos recursos nas
últimas temporadas, o futebol brasileiro ainda reflete, em alguns clubes, sinais
de grandes problemas financeiros, inclusive com um endividamento acima das
normas financeiras de uma empresa.
O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou uma excelente matéria sobre a atuação de empresários gaúchos, e que nos motivou a uma análise mais detalhada sobre o assunto para que seja utilizada em nosso debate diário.
O sistema funciona quando é descoberto um novo talento no futebol. Aparece o empresário, visita a sua famÃlia, oferece dinheiro, ou aluga um imóvel, e até mesmo dá um carro de presente, e sai da casa com uma procuração com todos os poderes para gerenciar a vida do futuro atleta.
Dai em diante assume a sua tutoria, com uma aposta em um negócio promissor no futuro, e leva o jovem talento para ser apresentado a um clube.
Começa a sua saga.
Se for aprovado nos treinamentos, assina o contrato com a agremiação, e quando isso acontece, o seu representante ganha. Se posteriormente, como profissional, for transferido para outro clube, um emaranhado de intermediáros aparece, e o procurador recebe os seus percentuais de transação.
Essa é uma realidade e que os clubes se atrelaram a tal sistema, onde a maioria dos seus atletas formados são de terceiros, muito embora a projeção seja dada por esses. No final se contentam com um pequeno percentual.
Em um esquema que mexe com a paixão e remexe com muito dinheiro, temos mais de mil empresários atuando em nosso paÃs que, segundo cálculos efetuados, no ano de 2011 foram realizadas 1.495 transferências que movimentaram US$ 174 milhões.
Quando os empresários conseguem as procurações, sempre com famÃlias pobres e ansiosas para uma melhora de vida, já colocam o percentual de 10% em tudo que esteja relacionado aos valores recebidos pelos atletas e sempre em um perÃodo de 10 anos. Na realidade, é uma sangria programada.
Segundo um dos agentes ouvidos, o assunto com jogadores é considerado como um ¨chafariz de dinheiro¨, que jorra o dia todo, e para tudo que é lado.
Para que se tenha uma ideia dessa potencialidade, no mundo do futebol são realizadas 11 mil negociações por ano, e isso envolve basicamente US$ 3 bilhões. Em 2011, os agentes receberam dos jogadores US$ 130 milhões de comissões.
Tudo isso acontece por conta do ¨beneplácito¨ dos cartolas, e inclusive com a participação de alguns em tais negociações, desde que se tivéssemos gestões competentes em clubes de futebol, seriam criadas agências próprias que teriam o objetivo de buscar os talentos e a responsabilidade com suas carreiras e todos os recursos ficariam nos seus cofres.
Enquanto isso, se contetam com as suas dÃvidas, enquanto os empresários passeiam com as suas Ferraris.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









