JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Como na própria sociedade brasileira, a
distribuição de renda motiva os abismos entre os seus componentes. Embora tenha
melhorado nos últimos anos, o hiato ainda é acentuado e a concentração de
recursos continua ainda nas mãos de uma pequena minoria.
O futebol não poderia ficar de fora, por fazer parte do contexto geral do paÃs, e essa diferença entre clubes se faz notar no Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, quando em dez anos de pontos corridos, tivemos apenas 4 rebaixamentos dos chamados clubes grandes.
Pesquisamos em diversas fontes de estatÃsticas, e verificamos que entre 37 clubes rebaixados (faltando um do ano de 2012), apenas 4 saÃram do grupo de elite (10,8%), os 33 demais foram clubes intermediários, sendo que alguns no dia de hoje encontram-se em divisões bem abaixo, inclusive sem nenhuma divisão.
O efeito sanfona funciona para os deserdados da fortuna, e apenas Grêmio (2004), Atlético-MG (2005); Corinthians (2007) e Palmeiras (2012), foram imprudentes e caÃram no rebaixamento, mas com as condições financeiras diferenciadas dos componetes da segunda divisão, todos voltaram no ano posterior.
O site Fut Dados nos forneceu alguns detalhes sobre os estados que sofreram com o rebaixamento, e o mais atingido foi São Paulo, por conta de uma maior participação, e que completou com o Palmeiras, o seu nono time degolado no perÃodo, sendo que dos grandes foram apenas dois.
A seguir vem Santa Catarina (4), Paraná (4), Ceará (3), Bahia (3), Minas Gerais (3), Pernambuco (3), Rio Grande do Sul (2), Goiás (2), Paraná (1), Distrito Federal (1), Rio Grande do Norte (1) e Rio Grande do Sul (1).
Quando analisamos as estatÃsticas da CBF verificamos alguns fatos bem importantes com relação ao rebaixamento tais como: o Criciúma caiu em 2004 e somente nesse ano voltou à divisão de elite, Payssandu e Brasiliense caÃram em 2005 e não voltaram mais, disputaram a Série C e o time paraense conseguiu o acesso.
O Fortaleza, rebaixado em 2006 (2ª vez), encontra-se hoje na Série C, assim como o São Caetano que caiu no mesmo ano e disputa atualmente a segunda divisão.
O Santa Cruz foi rebaixado em 2006 e até hoje vive a sua via crucis, chegando à série D e continuando na C. O Juventude passa pelo mesmo processo do nosso tricolor, caiu em 2007 e atualmente está na D, graças a um torneio recentemente disputado.
O Santo André disputou em 2009, caiu e continuou a sua queda, encontrando-se na quarta divisão.
Fortaleza, Guarani, Vitória, Coritiba e Figueirense foram rebaixados duas vezes nesses 10 anos de pontos corridos.
Na verdade, o Brasileirão é caracterizado por poucas debacles de grandes clubes, e a queda de outros que vivem no sistema sanfona, ou seja, sobem e descem, desde que não conseguem saborear a competição por mais de três anos seguidos.
Esses são os eternos figurantes, principalmente os clubes das regiões Norte e Nordeste, que jogam numa divisão principal lutando sempre contra a queda e nunca por maiores objetivos.
Isso é o sistema mercantilista que foi implantado em nosso futebol, onde os pobres se contentam com um pequeno mimo e os grandes participam de um grande banquete.
São coisas da vida e do futebol.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







