JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
As
rivalidades regionais transformam os torcedores. Muitas vezes pessoas
equilibradas e sobretudo éticas, caem na vala comum e deixam tudo de lado por
conta de saborear na sua mesa as desgraças dos rivais. A paixão modifica totalmente o ser humano, e
esse perde a sua racionalidade.
No dia de ontem, conversávamos com algumas pessoas interessadas por esportes, e um dos assuntos foi o jogo Corinthians x Bahia, quando o clube do Parque São Jorge estaria dando uma ajuda ao baiano, colocando uma equipe praticamente reserva, para dar o troco ao inimigo, que anos antes fizera a mesma coisa.
Trata-se do emprego da tática do olho por olho e, sobretudo, a alegria de presenciar um rival ser abatido.
As redes sociais estiveram repletas de imagens de torcedores do Palmeiras, quando do rebaixamento do Corinthians em 2007, solicitando a sua diretoria que abrisse o jogo para não ajudar o time adversário, e com isso incitando a sua para dar o devido troco.
O assunto foi bem repercutido, desde que, para o alvinegro paulista seria apenas um jogo que nada iria acrescentar, e para o Bahia esse seria uma bóia para a sua salvação.
Na verdade nenhum técnico ou dirigente manda o seu clube perder, e que o clube paulista fez foi enfraquecer a sua equipe com jogadores reservas, muito embora esses tenham lutado bastante para a obtenção de um bom resultado. No final um empate de 1x1, comemorado pelo Bahia. Se o adversário tivesse com o time titular seria uma goleada.
Por conta do tema, fizemos uma pergunta a dois alvirrubros presentes, com relação à rivalidade local, ou seja, se o Sport dependesse do Náutico em jogos da competição, esse deveria colocar um time reserva para prejudicar o seu maior adversário?
As respostas foram unânimes, de que apoiariam tal fato, e se o seu clube já estivesse garantido, solicitariam o mesmo procedimento tomado pelo Corinthians no seu jogo de ontem, pedindo a diretoria que escalasse times mistos.
O inverso se daria se a situação fosse favorável ao Sport, visto que os torcedores rubro-negros também não admitiriam qualquer ajudar ao clube rival.
A paixão é tão grande que conhecemos algumas pessoas, de bom nÃvel intelectual de ambos os clubes, que não passam pelas suas calçadas. Uma insanidade geral.
A posição tomada pelo time paulista no seu jogo contra o Bahia feriu certamente a ética, mas o regulamento da competição não exige os titulares no campo de jogo e, por conta disso, na verdade, o clube não estava agindo contra a lei.
O jornalista Antero Greco, em uma excelente matéria publicada no jornal Estado de São Paulo, sobre o assunto do clube da sua cidade, retratou o episódio com um texto que dizia o seguinte:
¨Imagine o seguinte: o time hoje aceita uma tramóia, por calcular que dessa maneira se livra de um antagonista e realiza o desejo da massa. Mais para frente, faz fiasco numa partida crucial, vê um tÃtulo escapar, é rebaixado e sei lá mais qual tragédia.
Quem garante que os fãs não vão cobrá-los por suposto corpo mole, pois virá a tona a atitude indigna de ontem¨.
Na verdade, um campeonato de pontos corridos é para ser disputado até o final, independente de quem esteja para ser campeão ou rebaixado, obdecendo os princÃpios éticos que o fortalecem perante o consumidor.
O torcedor, com sua visão apaixonada, não percebe que ao solicitar uma possÃvel entrega, ele está desmoralizando a competição e sobretudo a moral, pois, depois de perdida, é totalmente irrecuperável.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








