JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Juninho Pernambucano foi o personagem mais
importante do seu time, Vasco da Gama, no jogo contra o Figueirense, realizado
no último sábado pelo campeonato brasileiro.
Com seus 36 anos, o profissional torna-se um exemplo para muitos atletas com idades bem abaixo da sua, e que já demonstram fadiga com a profissão.
Por conta dessa exibição, cujo vÃdeo vimos a posteriori, resolvemos postar um artigo sobre uma entrevista desse jogador ao Sport TV na semana passada, que demonstrou a sua consciência no tocante à profissão que abraçou.
Segundo Juninho, no seu retorno ao paÃs estranhou o comportamento dos colegas de profissão, quando textualizou claramente que esses continuam sendo tecnicamente os melhores do mundo, mas que precisam ter uma conduta profissional no âmbito geral do esporte.
De acordo com o atleta, existe a necessidade de mudar a mentalidade do jogador brasileiro. Esses continuam achando que a caneta, o chapéu, a brincadeira no treino, que isso é futebol. E que no final de semana vai ser capaz de chegar lá e resolver.
O profissional do futebol no Brasil, segundo Juninho, não entendeu que para atuar bem em um jogo necessita de uma preparação adequada. Preparar o corpo para que ele seja capaz de reagir ao esforço máximo na partida. E isso tem que ser feito no dia a dia, afirmou o meia vascaÃno.
Na verdade Juninho é um atleta privilegiado, desde a sua formação, tendo inclusive o nÃvel universitário, e isso o ajudou a ter uma noção maior sobre a profissão, que foi certamente amadurecida pelos longos anos em uma cultura mais elevada, como a da França.
Dentro de tal contexto, na sua entrevista, esse enveredou pelo lado social, com alguns posicionamentos interessantes.
Destacou as qualidades do atleta brasileiro em comparação com os europeus, visto que ele considera que os locais são mais inteligentes para ler o jogo, por ter passado pelo futsal, ter jogado futebol na rua e até descalço.
Para o profissional do Vasco da Gama, a grande mudança é de que o nosso jogador deverá entender que o futebol pode sim ser uma brincadeira, mas acima de tudo é uma profissão. ¨O futebol mudou a vida de todo o mundo. Então, ele precisa respeitar o futebol como ele merece. E para isso, tem que entender que o treinamento e o pós-treino é fundamental¨, declarou.
Finalizando a entrevista, Juninho Pernambuco fez uma consideração de ordem social ao afirmar que o jogador brasileiro tem muito mais desequilibrios familiares do que acontece na Europa, dizendo que isso atrapalha. ¨A mudança do nosso futebol passa pela psicologia e até a psiquiatria tem que estar cada vez mais presente, pois o lado mental está mais importante a cada dia que passa para o jogador render o que pode¨, concluiu.
Uma entrevista brilhante de um profissional consciente, e que deveria ser mostrada aos jogadores de nossos clubes, e até aos seus dirigentes.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







