JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Os tristes fatos que ocorreram no estádio Couto
Pereira, de propriedade do Coritiba, no último domingo, com as agressões
sofridas por um pai e uma adolescente, promovidas por uma torcida organizada do
clube, tiveram uma grande repercussão no Brasil, e serviu para acordar uma parte
de nossa mÃdia esportiva que estava anestesiada em relação à intolerância que
tomou conta de nossos eventos esportivos.
A sociedade reagiu, e o nosso blog sentiu tal fato, tendo em vista os diversos comentários que foram apensados ao artigo.
Voltamos ao tema para mostrarmos que o fato não foi pontual e se repete no cotidiano do futebol. O advento das torcidas organizadas transformaram os eventos em palcos para a intolerância e, sobretudo, a violência.
Vivenciamos uma época em que frequentar os estádios era puro lazer. Os contrários conviviam pacificamente, e a luta era dentro do campo. No final, vencidos e vencedores saÃam juntos sem nenhum sentimento de ira ou de que fossem tratados como inimigos a serem batidos.
Os torcedores organizados alugam seus serviços aos donos do poder nos clubes, servindo para incrementar a torcida e, ao mesmo tempo, para intimidar os adversários.
O fato do Couto Pereira reflete-se nas ruas, onde um cidadão não pode mais vestir a camisa do seu time, por correr o risco de ser agredido pelos intolerantes e muitas vezes morto, como ocorreu recentemente no Rio de Janeiro.
O torcedor tinha orgulho de colocar no seu carro um adesivo com o escudo do seu clube. Hoje, se o fizer corre o risco de ter o vidro do veÃculo quebrado e a lataria arranhada. Trata-se de uma maneira de divulgação que caiu em desuso por conta daqueles que só acreditam na intolerância e violência.
Depois do que aconteceu com a jovem torcedora do Coritiba que cometeu um ¨crime¨ de receber uma camisa do seu Ãdolo, que joga por um time de outro estado, nos questionamos se algum pai irá ter a coragem de levar seus filhos para os estádios, para correrem o risco de serem trucidados pela sanha de criminosos travestidos de torcedores.
Nós não temos mais filhos adolescentes e sim netos, que apesar de pouca idade já gostam de assistir aos jogos do seu clube no Morumbi, acompanhados dos pais, e ambos têm um jogador contrário como Ãdolo, no caso Neymar, do Santos.
Estávamos pensando nos dois, com apenas cinco anos de idade, gritando o nome do atleta santista, e os organizados os atacarem contra esse crime de lesa patria, que é o de admirar um bom jogador do time adversário.
Apesar da idade, ambos sabem e cantam todo o hino do São Paulo e, mesmo distante, já fizemos de tudo para que eles torçam também pelo Sport mas não somos atendidos, pois são são-paulinos de coração.
São crianças e adolescentes como eles que fazem o futuro do nosso futebol, e com pensamentos limpos e diferentes dos que frequentam os estádios nos dias de hoje, mas todos estão sendo afastados por conta dessa intolerância imbecil e digna de paÃses fascistas.
O problema dessa gente é o mesmo de nossa sociedade, que se desqualificou por conta da ausência do estado de coibir a corrupçção, que gerou a violência e a impunidade, e tendo como resultado final o afastamento dos bons torcedores dos estádios.
Chegou o momento de uma união nacional no intuito de ser exigida a extinção de todas essas torcidas para que o futebol possa ser salvo.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








