JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Estamos procedendo com uma pesquisa com respeito aos clubes de Pernambuco a partir do século XXI, que realmente tem sido pouco generoso com o nosso futebol.
Alguns dados são bem interessantes, e vamos postá-los para abrirmos um debate sobre o assunto. Começamos hoje com o Sport Club do Recife, cujo processo eleitoral se avizinha.
A década de noventa foi sem dúvidas generosa para o rubro-negro da Ilha do Retiro. No perÃodo de 1991/2000 participou de todos os Campeonatos da principal divisão brasileira. Devemos ressaltar que, em 1999, já começava a apresentar algum declÃnio, sendo quase rebaixado para a divisão inferior, salvando-se pelos critérios técnicos adotados na época.
O século XXI foi devastador nacionalmente para o Sport, embora tenha ganho pontualmente o tÃtulo da Copa do Brasil, tornou-se efetivamente no perÃodo um time de segunda divisão. Em 2001, foi rebaixado para a Série B e permaneceu nessa até o ano de 2006, quando conseguiu ter o acesso. Permaneceu por apenas três anos, sendo, no ano de 2009, rebaixado.
Permaneceu na segunda divisão por dois anos, 2010 e 2011, conseguindo voltar para a competição na série principal de 2012.
Nesse perÃodo foram 5 anos na Série A e 7 na Série B, sendo que nessa última teve uma permanência consecutiva de 5 anos.
Na verdade, o Sport tornou-se um clube estadual, e o que estamos assistindo no ano de 2012 é o retorno das mesmices dos anteriores, onde as gestões influenciaram em suas quedas, pois faltou o planejamento para conter a sangria que estaca se vislumbrando.
Necessário se faz uma análise bem acurada com relação a esses fatos, visto que, muito embora afirmem que a história não se repete, no caso do Sport isso não está acontecendo, pois o clube continua adotando o mesmo modelo dos últimos 12 anos e corre sério risco de voltar à segunda divisão.
Como teremos o debate eleitoral se aproximando, esses detalhes são bem importantes para uma discussão ampla sobre os equÃvocos das diversas gestões que estiveram à sua frente.
São dados precisos, que precisam ser analisados para que o futebol do rubro-negro pernambucano volte a ser nivelado aos grandes do paÃs pois, em pouco tempo de um século novo, o clube simplesmente se apequenou.

Na verdade, os dados chocam e demonstram que a sobrevivência do alvirrubro pernambucano deve ter sido obra da persistência e abnegação dos seus associados.
Enquanto a década de 90 para o Sport foi de sucesso, tendo participado de todos os Campeonatos da divisão principal, para o Náutico foi o inverso. O clube esteve em quatro edições da divisão principal (1991 a 1994). Em 1992 foi rebaixado mais houve uma virada de mesa e não houve a Série B, tendo assim beneficiado o alvirrubro de Pernambuco.
No ano de 1994 foi rebaixado para a Série B, continuando até o ano de 1998, onde foi rebaixado para a C. Depois da Copa João Havelange, em 2000, retornou à antiga Série B, onde disputou os seus campeonatos no perÃodo de 2001 a 2006, ano em que conseguiu, enfim, o acesso à primeira divisão nacional.
Nessa permaneceu apenas 3 anos e, em 2009, juntamente com o Sport, sofreu mais um descenso, permanecendo por dois perÃodos, voltando a participar da competição principal nesse ano de 2012.
Como podemos observar nos dados apresentados, o Náutico, em 1994, jogou apenas quatro vezes a primeira série e, no século XXI, no perÃodo de 2001 a 2012, participou dessa apenas por três vezes, o que totaliza em vinte e dois anos, sete participações.
Certamente faltou uma análise acurada para que os problemas que levaram a tal perfomance pudessem ser detectados e daà uma programação que subsidiasse uma manutenção mais permanente.
As implicações das ausências em uma competição de maior nÃvel para os clubes são inestimáveis. Poucas pessoas já tiveram o cuidado de proceder com uma análise assim, desde que um clube participando em 22 anos apenas 7 vezes da Série A, contra 14 em outras divisões, acarreta prejuÃzos, por ser a porta de entrada para maiores receitas.
Obviamente em qualquer empresa os recursos provocam investimentos e estabilidade.
Verificamos que houve uma acomodação no clube alvirrubro, visto que os problemas foram se acumulando e com eles o endividamento, levando a prejuÃzos anuais, e com precárias condições de soluções.
São dados tão precisos como os apresentados com relação ao Sport, e que poderão servir para que sejam analisados pelos dirigentes alvirrubros, demonstrando a necessidade da formatação de uma polÃtica mais estrutural em nossos clubes e no próprio futebol pernambucano.
O Santa Cruz Futebol Clube foi o que teve uma queda mais acentuada, passando a viver praticamente em todo esse perÃodo em uma situação totalmente constrangedora para toda a sua história.
Na década de 90, participou apenas uma vez da Série A, no ano de 1993, desde que não houve a Série B, e terminou na 28ª colocação, sendo levado de volta ao grupo anterior. De 1995 a 1999, onde teve o acesso, fez parte de todas as competições da segunda divisão.
No ano de 2000, disputou a Copa João Havelange, e no seu módulo, terminou em 25º lugar. Em 2001, retornou a primeira divisão, onde foi logo rebaixado, só voltando a essa em 2006, onde chegou na lanterna da competição, sendo levado de volta para a segunda divisão.
Em 2007, disputou a Série B, sendo rebaixado para a C e, em 2008, sofreu o descenso para a D, participando dessa quarta divisão nos perÃodo de 2009/2011, ano esse que conseguiu o acesso à terceira divisão.
Numa simples análise, verifica-se que o Santa Cruz, em 22 anos, somente participou três vezes do Brasileirão, ficando nas demais divisões por 19 anos.
A dureza dessa realidade assombra a qualquer pessoa que analise o futebol brasileiro, visto que o clube passou por duas décadas e ingressou em uma outra totalmente fora do foco dos grandes eventos, das mÃdias nacionais, e como contrapartida, de grandes patrocinadores.
Na verdade foram anos desperdiçados, e que levou o clube a atual situação, eivado de dÃvidas, lutando com dificuldades para retornar aos grandes campeonatos, e conseguindo sovreviver graças ao seu maior patrimônio, a torcida.
O tricolor do Arruda é um clube de futebol, como o Pinheiros, em São Paulo, é uma entidade olÃmpica, e por conta disso, deveria ter se planejado com base numa focagem futebolÃstica. Mas as suas diversas gestões acumularam erros graves, e o levaram a situação que hoje se encontra.
A ausência de um clube da divisão principal o leva ao esquecimento, e uma queda de receita desproporcional. Isso aconteceu com o Santa Cruz, com o próprio Náutico e atingiu, em parte, o Sport.
Finalizando essas análises dos três maiores clubes de Pernambuco, chegamos à conclusão de que nesse perÃodo os erros foram maiores do que os acertos. O Sport vive das recordações da década de 90, já que de 2001 em diante também esteve mais na Série B do que na principal divisão, enquanto Náutico e Santa Cruz, nem nos anos 90 tiveram sucesso, e atravessaram também uma via crucis no perÃodo de 2001 a 2012.
Nada melhor do que mudar, repensar a formatação dos planejamentos (se é que houve algum), para que possamos deixar de ser um futebol de segunda divisão, e voltarmos a ter uma participação mais efetiva nas competições maiores.
Por enquanto os nossos clubes se contentam com os estaduais.
Chegou a hora de mudar.