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Maio 2012 ›› JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Uma nota de Jorge Rodrigues e Mauricio Fonseca,
publicada no Jornal o Globo, mostra uma realidade que passa despercebida de
todos nós que acompanhamos o futebol.
Segundo a matéria: ¨O sindicalismo no Brasil é um grande negócio. Nos primeiros meses desse ano, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapef) recebeu algo com R$ 48 milhões referentes aos 5% dos contratos dos clubes da série A com as Tvs.
A entidade administra e repassa percentuais diferentes aos sindicatos estaduais(...). Fenapaf e Sindicatos fazem pouco pelos atletas e ex-jogadores. Muitos vivem a mÃngua. Enquanto isso, há diretor dirigindo BMW e com apartamento na quadra da Praia do Leblon¨.
Uma vergonha.
Aliás não existe coisa melhor nesse paÃs do que ser sindicalista.
Por ROBERTO VIEIRA
OK... os dirigentes têm culpa no cartório, e muita. Excesso de paixão e pouco profissionalismo na gerência dos clubes derrubam qualquer um. Mas vamos aqui analisar outros fatores, já que paixão e amadorismo são comuns na imensa maioria dos clubes brasileiros, quase todos na bancarrota...
Imagine sua empresa situada numa das regiões mais pobres do Brasil. Com faturamento de 30 milhões de reais este ano %u2013 nos anos anteriores era 10% deste valor - afastada dos centros decisórios no seu ramo de atividade. Passivo trabalhista milionário herdado de gestões anteriores. Possuidora de parque industrial obsoleto e sucateado através das últimas décadas, prestes a perder o patrimônio na justiça ao primeiro piscar de olhos. Você enfrenta empresas com faturamento de 300 milhões de reais, reconhecidas mundialmente em seu ramo, localizadas no eixo do poder econômico nacional. Os passivos trabalhistas destas empresas também são imensos, entretanto contam com salvaguardas governamentais populistas e infinitas.
Você sobrevive como o patinho feio, certo? Errado.
Errado pois o assunto é futebol e no futebol os torcedores esquecem os princÃpios da lógica matemática. Porque no futebol, segundo afirmam, tudo é possÃvel. Todo mundo deseja a vitória, esquecido que de um lado tempos o todo poderoso Golias e do outro o minúsculo Davi, nem todo dia sendo dia de funda. Principalmente quando o caso é pontos corridos. Pontos corridos que foram criados em certames nacionais na certeza de que clube pequeno jamais ia beliscar a taça. Pontos corridos que exigem elenco, estrutura e logÃstica impensáveis para quem luta pela sobrevivência com a cuia na mão. Se duvida, procure saber quantas vezes um clube fora do eixo Madri/Barcelona venceu o certame espanhol nos últimos 30 anos. Ou melhor, leia sobre os milagres de Cagliari, Verona e Sampdoria nos últimos 40 anos de calcio.
Discute-se atualmente a péssima campanha fora de casa das equipes pernambucanas. Maldade. Como se fosse a coisa mais fácil do mundo um clube do universo africano brasileiro chegar aos recantos de primeiro mundo em nosso paÃs e sair ganhando, assim sem mais nem menos. Pernambuco nunca teve vida fácil em torneios nacionais - nem no Brasileiro de seleções, nem em Taça Brasil ou Campeonatos Nacionais. A história registra momentos de triunfo localizados, conseguidos com muito esforço e garra por equipes como o Náutico de Bita, o Santa de Givanildo ou o Sport de Nelsinho Batista e Queixada.
Pernambuco ainda é primo pobre, não importa o que afirma a propaganda governamental sobre o crescimento vertiginoso da nossa economia neste século. O fosso existente entre nossa região com pampas, paulicéias e cidades maravilhosas é calamitoso. Fruto do bicentenário de desigualdade pós chegada da côrte portuguesa em Pindorama.
Mas então, pergunta o torcedor sentado nas arquibancadas dos nossos estádios de cimento e arame, fossos e sesmarias, a derrota é inevitável?
Não. A derrota não é destino convicto pra seu ninguém. Com gestão adulta dos parcos recursos, com dirigentes antenados com a modernidade, com a quebra dos paradigmas subdesenvolvidos de que ''atleta bom é atleta de fora'', com a mesma paixão que cega e também nos faz insistir em sermos grandes, com a lendária teimosia de que somos herdeiros podemos reverter o quadro de forma gradativa. Porém, dois fatos não devem deixar de frequentar nosso pensamento.
O primeiro é o pecado de crucificarmos nossas equipes sem levarmos em conta a desproporção dos elementos da equação. O trio de ferro da nossa capital é forte em termos estaduais, mas pequeno diante dos donos deste paÃs quando enfrentamos a primeira divisão.
O segundo é nos perguntarmos porque as empresas que atracaram em Suape não gastam um mÃsero centavo no patrocÃnio dos nossos clubes. Estas empresas que representam o atual boom de nossa economia podem ser a resposta ao incremento das receitas das equipes pernambucanas.
Mas qual empresa vai patrocinar uma equipe que não apresenta balanços financeiros confiáveis? Qual empresa vai financiar uma equipe que não possua uma campanha de marketing competente?
Porque enquanto não houver limpidez no exercÃcio financeiro dos nossos clubes, o capital continuará longe demais dos nossos campos.
E longe demais dos capitais, não adianta
exigir o impossÃvel das nossas cores. Futebol é caixinha de surpresas
apenas no varejo, pois no atacado, em campeonatos de pontos corridos,
quem vence é a grana.
CLAUDEMIR GOMES
O apostador que tem por regra seguir a orientação dos números ficou frustrado com a vitória do Náutico - 1x0 %u2013 sobre o Atlético Mineiro, ontem à tarde, nos Aflitos. Mas o torcedor alvirrubro, que acompanha a trajetória do time de Alexandre Gallo na Série A, sabe que o resultado era previsÃvel. Afinal, quando joga respaldado por sua torcida, o Timbu tem a postura e atitude que se cobra de um clube que disputa o melhor campeonato do PaÃs.
Como mandante, o Náutico tinha a obrigação de tomar a iniciativa do jogo, e fez com desenvoltura, mas lhe faltou eficiência nas finalizações. O Atlético Mineiro se posicionou de forma estratégica para atrair o time alvirrubro e tentar surpreendê-lo nos contra-ataques, mas o seu principal jogador de criação, Ronaldinho Gaúcho, não estava em tarde inspirada.
Inspiração que não faltou ao volante Souza, que marcou o gol da vitória ao cobrar uma falta com maestria. E Souza bem que poderia ter cobrado o pênalti que foi batido de forma displicente, e desperdiçado por Araújo. A vitória recolocou o Náutico na zona de classificação para a Sul-America, e consolidou sua eficiência doméstica como única alternativa para realizar uma confortável campanha de manutenção, que foi a meta definida neste primeiro ano de retorno à Série A.