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Nem tudo são flores
postado em 25 de setembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, NEM TUDO SÃO FLORES


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Muitos jovens brasileiros sonham com a carreira de profissional de futebol, para dar uma guinada em suas vidas, em conjunto com os familiares.

Esse fato é bem retratado quando vemos as convocações de peneiras seletivas, e a quantidade de participantes. Todos com um único objetivo: o de tornar-se um novo rico, e conseguir os carrões, os iates ou mesmo as belas mulheres, que os privilegiados ostentam, e serem também paparicados por nossa mídia.

Trata-se, na verdade, um engano de quem convive com tal pensamento, pois os novos ricos do futebol brasileiro representam apenas 2% do universo dos atletas registrados na CBF.

Um número cruel foi levantado por Lucas Calil, do jornal Folha On-Line, e que mostra um universo que já conhecíamos e que agora foi comprovado.

Na entidade máxima do futebol nacional existem 30.784 jogadores registrados no país, e atualmente 82% recebem até dois salários mínimos.

Por termos lidado com registros de atletas quando dirigíamos o futebol local, constatamos essa dura realidade, onde a maioria dos inscritos encontravam-se nessa faixa de até dois mínimos, e um grupo restrito superava os 20 salários mínimos, ou seja, um teto acima de R$ 12,4 mil.

Aqueles com maiores remunerações pertenciam aos clubes chamados grandes, e que na verdade os valores não refletiam a realidade, pois muitos jogadores recebiam maiores remunerações, que estão embutidas no chamado direito de imagem.

Obviamente no mundo capitalista nem todos são iguais. Existem os que ganham mais e outros menos, mas na vida do futebol os contrastes são mais gritantes do que na real.

Estima-se que pelo menos 20% dos clubes brasileiros atrasem os pagamentos dos salários contratados. Vivemos na filosofia ¨Vampeta¨, onde finge-se que se paga, e os profissionais fingem que jogam.

Quantas vezes uma competição local encerra-se e os atletas não receberam o acordado. As varas da Justiça do Trabalho lotam de processos, e muitos desses não terminam em nada, desde que os devedores não têm recursos para a quitação dos débitos.

Quantas vezes assistimos aos atletas na porta da Federação reclamando da falta de pagamento de seus salários? Inúmeras.

O fato também se dá com os chamados grandes clubes, e Flamengo e Vasco são grandes exemplos.

O Brasil não é o único país a proceder de tal forma, já que as estatísticas demonstram que pelo menos 30% dos atletas do mundo convivem com tais problemas, principalmente os dos países do Leste Europeu.

A maioria dos profissionais são nomandes, assinando contratos apenas para as competições locais, depois ficam procurando outras alternativas e muitas vezes no próprio estado na segunda divisão.

O INSS não é depositado, assim como o Fundo de Garantia. Muitas carteiras sequer são assinadas, que formam um somatório de fatos que o torcedor do futebol brasileiro desconhece.

Falta uma legislação sobre o assunto, como existe em alguns países europeus e na própria UEFA, quando os clubes para participarem das competições necessitam de uma licença para tal, e por conta disso, se não equacionarem as suas dívidas serão alijados.

Uma fórmula simples e que resolveria o problema, que aliado a um calendário que crie condições para que um time dispute competições pelo espaço de 10 meses no ano, deixando de ser sazonal, poderíamos dar uma boa modificação na estrutura financeira do futebol.

Se os nossos jovens sonham com o sucesso, pelo menos fiquem sabendo que a realidade para se chegar aos seus desejos está muito distante do que é imaginado, pois nem tudo são flores.

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Artigos
A morte do décimo terceiro jogador
postado em 24 de setembro de 2012

Artigo de Cristiano Nascimento(*) para a revista COLETIVA da Fundação Joaquim Nabuco


Até os anos que precediam a Copa de 2014, o futebol no Brasil era um esporte calcado na desigualdade de condições entre as equipes da casa, mandantes dos jogos, e as visitantes. Em verdade, jogavam treze jogadores, de um lado, contra onze, do outro.

Claro que existiam algumas restrições às atuações desses jogadores extras: eles não calçavam chuteiras, não pisavam no gramado e não podiam tocar na bola. Mas não precisavam apresentar desempenho físico excepcional ou chegar pontualmente aos treinos. Não atendiam às ordens do técnico, nem deviam respeito ao juiz.

Explico. É sabido que o time da casa tinha a vantagem de início de ter um jogador a mais - a torcida - sendo essa uma associação consagrada. Até jornalistas usam a expressão "décimo segundo jogador". Mas defendo que existia ainda mais um outro, externo ao gramado: os espaços dos estádios dos clubes que, quando incorporados ao espírito clubístico, contavam como mais um elemento de vantagem e garantiam os tais treze mandantes contra os onze, de fora.

A ligação entre o brasileiro torcedor de qualquer clube com um mínimo de tempo de história e o seu estádio comparava-se à sensação de entrar e sair de sua casa. O campo de jogo e sua relação com a estrutura físico-espacial circundante - as arquibancadas, vestiários, cadeiras - era particular a cada equipe e, principalmente, a cada torcida.

O torcedor, no seu estádio, estava em um ambiente que podia ser comparado a um templo previamente consagrado à honra do seu clube e ao compartilhamento de sentimentos de identidade com os seus pares. Mas, mais do que isso, essa casa lhe era cara porque com ela guardava uma relação de cumplicidade. Ela presenciou de tudo ao longo da sua história e se tornou um espaço confidente de momentos tão importantes quanto tantos mais vividos em outros ambientes por onde passou: seu quarto e sua cama, seu escritório ou oficina, um balcão ou uma mesa de bar. Era um lugar onde se sentia seguro, onde depositava esperanças tanto de redenção - na vitória - como de compaixão - na derrota.

Usava-se o estádio como um dispositivo destinado a defender princípios e características que ele entendia como partes suas. Menos do que o culto a uma imagem ou uma relação mimética com os edifícios - os estádios brasileiros nunca foram, em termos gerais, belos - o que se manifestava era a catarse, a identificação pela imersão no ambiente do lugar.

Nesse espírito, a sua casa favorecia a si e dificultava a vida do visitante. O adversário não podia se sentir bem nem bem recebido. Além da técnica do futebol, existia a pressão psicológica que impelia à superação e oprimia o adversário.

Além de tudo, eram os donos da casa que sabiam como melhor utilizá-lo - onde se posicionar para insultar ou ovacionar um ou outro, para aparecer melhor na foto ou na imagem da televisão ou para que o técnico do seu time tivesse mais probabilidades de escutar os seus apelos, conselhos ou ralhas.

É verdade que falo a partir do meu universo futebolístico completamente enviesado. Como torcedor do Clube Náutico Capibaribe, falo inevitavelmente do ambiente que conheço tão bem - o estádio dos Aflitos. Mas, como morador do Recife, termino também me sentindo à vontade para falar dos outros dois estádios rivais - Ilha do Retiro e Arruda, do Sport e Santa Cruz, respectivamente.

Os Aflitos - edifício de dimensões reduzidas inserido no bairro de mesmo nome, aonde se chega rapidamente a pé, sem cerimônias, como quem vai à padaria ou ao bar da esquina - fazia-nos conseguir o máximo de proximidade com o gramado e dava-nos um alto grau de familiaridade - para não dizer intimidade - com os atletas em campo.

Só os Aflitos nos oferecia as possibilidades de variados níveis de interação com o futebol. Rapidamente, podíamos estar colados ao alambrado, a uma distância pouco maior do que a de um braço para o jogador rival no momento de bater o escanteio e, logo depois, posicionarmo-nos no meio do lanço de degraus da arquibancada, compondo a massa que grita em coro; ou, em seguida, subirmos aos seus pontos mais elevados, para uma melhor leitura de jogo e a tessitura de uma análise mais aprofundada dos erros e acertos do esquete com o colega de sofrimento ao lado.

E, de modo equivalente, como não fazer menção ao cenário aterrador de cores que nos ameaça na arquibancada frontal - e quase vertical - da Ilha do Retiro? Ou ao agigantamento sincronizado da multidão que ocupa loucamente os dois anéis do Arruda?

O décimo segundo jogador, a torcida, entrava de fato no certame como elemento de ataque quando tinha o apoio do seu estádio como elemento de defesa. Quando juntos, eram como qualquer dupla de craques em entrosamento. Torcida e estádio em comunhão, indissociáveis.

Como futebol e vida são uma coisa só - segundo Arrigo Sacchi, "a coisa mais importante dentre as menos importantes" tal fenômeno não ocorria apenas no Recife, mas é próprio da cultura clubística. Lembraria, por exemplo, o cenário ironicamente poético construído por Nick Hornby no seu livro Fever Pitch (1992), na descrição de passagens da vida do autor ligadas a partidas de futebol e às suas experiências nos estádios fossem elas ligadas ao time, o Arsenal, ou aos demais clubes e seleções.

Mas o texto de Hornby é embebido de sensação de perda e nostalgia. Sua vida futebolística, no livro, vai até 1991 - quando os estádios da Grã-Bretanha, e do Mundo, ainda não haviam se transformado tanto.

A partir de meados da década de 1990, os estádios ingleses passaram por reformas radicais - ou mesmo substituições para resolver problemas de segurança. Acidentes envolvendo pisoteamento e esmagamento de torcedores desesperados ou a violência da paixão desenfreada dos hooligans levaram as autoridades do futebol inglês a definir parâmetros arquitetônicos rígidos. Com relação ao conforto e segurança, a aplicação de tais parâmetros se revelou um sucesso, passando a se imprimir uma pressão pela homogeneização das características físicas e espaciais dos estádios.

Também as Olimpíadas de 1992, em Barcelona, tornaram-se um evento paradigmático e transformador das expectativas sobre os torneios. Os jogos trouxeram novos equipamentos, mas também foram associados a um exitoso plano de requalificação de áreas degradadas da cidade, melhoria de infra-estruturas e de seu reposicionamento no cenário turístico mundial.

Na mesma época, em 1994, a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) descobriu, com os Estados Unidos país - pouco interessado em futebol, mas muito competente da geração de lucros com eventos - que uma Copa do Mundo pode ser um produto interessante ao capital financeiro internacional, e a realização de uma partida é um dos momentos componentes de um ciclo de publicidade que usa o futebol como meio para se viabilizar.

Uma Copa, agora, é vendida como um pacote de ações salvadoras das cidades problemáticas em países em ascensão econômica - sendo o Brasil, um deles. E seu produto-âncora são os novos estádios, montados no modelo inglês e potencializados pela associação a estratégias de publicidade envolvidas nos acordos de transmissão da FIFA para os bilhões de aficionados de todo o Mundo.

Para os que agora assistem no local, por mais próximo que fiquem do campo de jogo, a relação entre o torcedor e o jogador é menos interativa e mais contemplativa, ressaltando um culto às personalidades do futebol. Os lugares são marcados e o torcedor não pode ficar circulando à vontade entre as arquibancadas - como dizia que costumávamos fazer nos Aflitos. Daqui para frente, ir a uma partida de futebol será um espetáculo formalmente ordenado, seguindo um ritual que tende a se tornar padrão, seja para um time do Recife ou de Kiev.

É por isso que este texto vinha sendo escrito no passado, até então - com a mesma sensação de perda que Hornby imprimiu no seu livro dos anos de 1990, já dou por morto o ambiente de jogo nos Aflitos e nos demais estádios tão individuais.

A segunda década dos anos 2000 será lembrada pelos brasileiros como a era dos seus megaeventos esportivos - Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016). Os três provocarão investimentos numa ordem de grandeza nunca vista. A mobilização da indústria da construção civil será privilegiada pela necessidade da urgência - direta e indireta - de novos equipamentos, como ginásios, centros de treinamento, hotéis ou habitações temporárias para atletas.

Mas a coisa mais importante dentre as menos importantes é precisamente outra: com a compra do pacote de soluções dos megaeventos - estádios e obras urbanas de grande impacto - esta será a década da morte do décimo terceiro jogador, esse personagem do futebol brasileiro que é o estádio não-FIFA.

O futebol, no Brasil, agora, será vendido como um espetáculo confortável e seguro, e não mais como catarse espontânea. Estádios novos são concebidos para um futebol que se vende, e não para um futebol que se vivencia.

As estruturas de espaços dos novos estádios serão tão genéricas quanto shopping centers, para que jogadores e equipes técnicas entrem e saiam de todos eles sem sentirem nenhum estranhamento de um para outro - assim como torcedores da casa ou torcedores de fora também não sentirão. O mais importante não serão mais os resultados das partidas, mas como elas dinamizarão investimentos e venderão produtos.

Mas como será construída a identificação dos torcedores de times tradicionais com os novos estádios se o futebol apresentado não tiver a capacidade de se vender eficazmente?

Com alguns times no mundo, o amor e a identificação são suficientes para a sobrevivência do clube. Claro que Real Madrid e Barcelona, equipes da Premier Leagueinglesa e do campeonato italiano conseguem manter e aumentar o número de sócios e contratar os melhores jogadores do mundo. Mas fazem isso porque estão inseridos no ciclo produtivo do futebol internacional, com a verba atracada aos maciços investimentos de patrocinadores multinacionais - além de serem uma ínfima minoria, se se considera todo o universo dos clubes de futebol do mundo. Na posição em que se encontram hoje, seria difícil de responder quem veio primeiro, o futebol ou o dinheiro.

Mas, no Brasil, em cidades como o Recife, no momento em que aqueles laços, muito dependentes do espaço, são rompidos, como se viabiliza a identificação do público com o clube se, no seu momento de comunhão, no jogo, tudo se torna algo muito mais distante?

No Recife, onde os clubes já tiveram oportunidades de se estabelecer em um patamar mais estável na economia do futebol nacional e, mesmo assim, não o fizeram, quem virá primeiro, o futebol ou o dinheiro? Se o futebol não for suficiente, onde estará a identificação, a capacidade de se sentir útil como décimo segundo jogador sem o suporte do décimo terceiro? Se a torcida e o campo forem destituídos dos seus papéis historicamente construídos, como se dará a relação com os clubes daqui para frente?

Clubes como o Náutico, Sport e Santa Cruz se tornarão empresas rentáveis motivados pela mudança para novos estádios? Os novos estádios serão veículos eficientes da venda de marcas e produtos e dos clubes como marcas e produtos? Associarão tais marcas e produtos a imagens de alguns jogadores-vedetes e farão esses jogadores-vedetes interessantes o suficiente para levar público a um novo estádio distante do seu bairro de nascença?

Para já, só se pode ter certeza de que aposta é alta e arriscada. Por mais que se torça para que o resultado seja positivo, é difícil não lamentar a perda de importância do torcedor que é imposta ao se optar pelo modelo genérico dos espaços contemporâneos do futebol.

E mais, quando se observa o fenômeno com olhos de romântico, como assim o faço, parece que o futuro será muito mais fair play e muito menos apaixonado... com a morte do décimo terceiro jogador, abandonaremos também o décimo segundo e, seja lá em que casa for, teremos sempre, só e tão somente, os corretos onze contra onze.


(*) CRISTIANO NASCIMENTO é arquiteto e urganista pela Universidade Fedrl de Pernambuco.

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Brasileiro Série A
O herói saiu do banco
postado em 24 de setembro de 2012

Gilberto entrou no segundo tempo e mudou a história do jogo - Foto: Blog do Torcedor - Guga Matos - JC Imagem

CLAUDEMIR GOMES

O histórico dos confrontos mostrava que o Coritiba nunca venceu o Sport na Ilha do Retiro. A partir daí, diante da imperiosa necessidade dos dois times somarem pontos, uma vez que ambos lutam contra o rebaixamento, era previsível o posicionamento tático a ser adotado pelo Leão e pelo Coxa. O time paranaense encaixou a marcação e frustrou todas as tentativas do rubro-negro pernambucano no primeiro tempo.

Embora tendo maior posse de bola, o Sport não conseguiu ser objetivo o suficiente por falta de um atacante de referência na área. As bolas cruzadas para a chegada dos armadores facilitavam a ação defensiva do adversário. No segundo tempo, com a entrada de Gilberto no lugar de Hugo, o Sport foi mais incisivo, com o atacante exigindo bastante do goleiro Wanderlei que, com defesas arrojadas se constituiu num dos jogadores de maior brilho da partida.

Waldemar Lemos tentou dar mais força ofensiva ao time leonino, fato que proporcionou mais espaço para os contra-ataques do Coritiba. O jogo se tornou dramático até que aconteceu um pênalti aos 46 minutos. E Gilberto mostrou que o seu lugar não é no banco, marcando o gol da vitória do Sport. 

O treinador leonino optou por um esquema no qual não existe um jogador referência de área. O Sport ocupa bem os espaços laterais, que muita gente chama de área morta, e utiliza os cruzamentos para a chegada dos volantes como elementos surpresa. No jogo de ontem, o Coritiba encaixou uma marcação que anulou as investidas dos donos da casa. Foi necessário a mudança do posicionamento tático, que aconteceu a partir da entrada de Gilberto, um jogador que atua como referência de área. E ele mudou o rumo da história.




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Brasileiro Série A
Meias verdades
postado em 24 de setembro de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, MEIAS VERDADES


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O Brasil vive uma era das meias coisas. Meia honestidade, meia corrupção, meio futebol e, sobretudo, as meias verdades.

O jornalismo vem evidenciando essa nova filosofia nacional, já que a verdade está sendo discutida na maioria dos casos, de conformidade com os interesses locais.

Após o jogo Fluminense x Náutico, onde um erro grotesco da arbitragem pode ter alterado o placar, visto que as chances de que um pênalti marcado seja convertido em gol é muito grande, e o clube pernambucano poderia chegar ao empate, procuramos analisar todos os meios de mídias, principalmente as do eixo Rio-São Paulo, para sentirmos como essas trataram o procedimento de quem comandou o apito da partida.

Verificamos que foi estabelecido decididamente a meia verdade na divulgação e análises dos fatos, por conta do regionalismo e interesses econômicos.

No Sport Tv, os analistas foram coerentes e destacaram o pênalti não marcado, mas com um pequeno deslise, tratando o assunto como fato normal, o que não é verdade.

Seria normal quando a penalidade é de difícil observação, e não a que aconteceu nesse jogo, com um empurrão tão bizarro que jogou o atacante do Náutico dentro da meta de gol.

O Globo anotou a não marcação da falta, mas sem nenhuma alusão ao prejuízo do Náutico. Se fosse ao contrário, sendo o Fluminense o prejudicado, o que diriam?

No jornal Estado de São Paulo, a análise foi totalmente diferente, quando diz que o Fluminense se impôs ao time permambucano pela qualidade, e que esse reclamava de um pênalti não marcado. Somente isso.

No jornal Extra do Rio de Janeiro, o mesmo procedimento, e poucas análises sobre o erro.

Na Folha de São Paulo, que divulga pouco os times do Rio de Janeiro e nada dos nordestinos, também o assunto foi considerado normal.

Nos jornais do Paraná e Rio Grande do Sul, nenhum comentário sobre o procedimento da arbitragem.

A realidade  é uma só: ¨O pênalti existiu e foi escancarado¨, e para isso não existe a meia verdade, nem outras divagações.

Por conta de procedimentos como esses, é que está havendo um encolhimento da cultura, da arte e do próprio pensamento nacional, que tornam o país pequeno, pois a verdade embora toque em interesses deveria ser o mote da notícia, nãs as tergivizações que encontramos, como no caso de uma partida de futebol.

O esporte é cultura e não pode ser tratado como um assunto político e regional, desde que assim sendo corre o risco de se tornar medíocre.

Uma análise correta, sem paixão, abre caminho para discussões bem concretas e nesse caso seria salutar, e que servisse para mudar os rumos da arbitragem de futebol em nosso país, que caminha a passos largos para uma total depreciação.

Uma falta é uma falta, um crime é um crime, um mensalão é lavagem de dinheiro e não caixa dois, e isso não pode ser tratado com meios termos, pois nos levam a perder o sentido da ética.

Somos totalmente contrários a regionalismos exacerbados, que nos levam a verdadeiras idiotices, e entre elas a da perseguição, mas certamente se o fato tivesse sido ao contrário, as manchetes dos veículos de mídia estariam perdindo a prisão do árbitro da partida Fluminense x Náutico.

A verdade não é relativa, é una, e  se o fato aconteceu, e todos o observaram, certamente teria que ser analisado por inteiro e não pela metade.

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Brasileiro Série A
Vencer e sobreviver
postado em 23 de setembro de 2012

CLAUDEMIR GOMES

Enganam-se os que afirmam ser o confronto entre Sport e Coritiba, hoje à noite, na Ilha do Retiro, um jogo de seis pontos. Os efeitos desta medição de forças extrapolam a tábua aritmética. A vitória, seja para que lado for, funcionará como um atestado de salvação nesta luta que o rubro-negro pernambucano, e o alviverde paranaense travam pela permanência na elite do futebol brasileiro.

A soma dos três pontos em disputa não será suficiente para tirar os comandados de Waldemar Lemos da zona de rebaixamento, mas os aproxima do adversário. Caso contrário, o Coxa dará um salto substancial na tabela de classificação se distanciando do fantasma do rebaixamento.

O campeonato se encontra num estágio onde, a cada rodada, as chances de reação são subtraídas de forma acentuada, transformando o mando de campo num dispositivo valioso. Até neste aspecto a partida de logo mais é um teste para o Leão que, em cinco confrontos diretos com clubes medianos, contabilizou apenas uma vitória - 2x1 - sobre a Portuguesa. Empatou com Atlético/GO, Náutico e Bahia, e perdeu para o Figueirense. Em síntese, disputou quinze pontos e somou apenas seis.

Há momentos em que é necessário dispensar os números, e acreditar que no futebol querer é poder.


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