JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O dono de um pequeno comércio por problemas
financeiros deixou de pagar os seus impostos, e foi autuado pelos órgãos
fiscalizadores.
No máximo que esse consegue é um parcelamento com juros sobre juros, e vai para o sacrifÃcio, mas cumpre com o seu dever para com o paÃs.
Quando não consegue parcelar, vai bater nas portas da Justiça Federal e muitas vezes são condenados, ficando com a ficha suja, prejudicando-o para o resto da vida.
No futebol nada disso acontece, visto que os dirigentes cometem um festival de gastanças, com contratações estratosféricas e procedem como o comerciante citado, não recolhem os seus tributos, mas sempre o governo arruma uma maneira de ajudá-los, com longos parcelamentos, ou com a criação da Timemania que englobou todos esses débitos, e o próprio dinheiro arrecadado pela Caixa hipoteticamente iria quita-los.
O programa foi um fracasso e as dÃvidas aumentaram, tendo em vista que as receitas para a maioria dos clubes não davam para as suas coberturas. O mais grave é que alguns dos beneficiados, com o paternalismo do governo federal, não se contentaram e continuaram com os mesmos procedimentos anteriores.
O que fazer? Procurar novamente o governo, e dessa vez através de um deputado do partido da Presidente. Uma boa tática para um novo arrumadinho.
O deputado Vicente Candido, que é Vice-Presidente da Federação Paulista de Futebol, e sócio do escritório de advocacia de Marco Polo Del Nero, presidente dessa entidade, e que por ¨coincidência¨ foi o relator da Lei Geral da Copa, com interesses no estádio Castelão, foi o autor de um projeto que está sendo denominado de Proforte, que vai aliviar as dÃvidas dos clubes brasileiros.
Nesse, os débitos com o governo poderão sem compensados se os clubes oferecerem bolsas para atletas iniciantes e de esportes de alto rendimento.
Que maneira simples de proteger quem contraiu débitos irresponsavelmente, sem medir as consequências do futuro.
Quais os clubes que hoje oferecem condições para o recebimento de centenas de atletas como bolsistas? Uma pura ilha da fantasia para mascarar um golpe que irá ser dado nos cofres públicos.
Os clubes apresentam receitas de milhões de reais por ano, pagam jogadores e treinadores com valores maiores que o futebol europeu, e não se dispõem a quitar os seus débitos com os percentuais desses recebimentos anuais, que seria a forma mais correta e digna de se proceder.
Seria um grande Refis, sob os olhares vigilantes para que novos débitos não fossem contraÃdos e, assim, todos marchariam na legalidade.
Fora disso é um arrumadinho, e temos a certeza de que a Presidente não irá meter a sua colher nesse prato.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








