JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
No
estádio Independência uma única torcida estava presente ao jogo entre Cruzeiro x
Atlético-MG, que é sem dúvidas um dos grandes clássicos do futebol
brasileiro.
A beneficiada foi a da Raposa, deixando os torcedores do Galo com o direito de assistirem ao jogo pela televisão.
Tudo estava resolvido na cabeça desses defensores do sistema da presença de apenas uma torcida nos jogos de futebol.
Lemos o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e vimos notÃcias sobre acontecimentos no bairro AlÃpio de Melo, na capital mineira, onde se enfrentaram torcedores do Cruzeiro e Atlético-MG. Até armas de fogo foram exibidas, inclusive com tiros e um dos envolvidos preso por ter feito o disparo.
Os nossos homens da segurança ainda não entenderam que os problemas não estão nos estádios, e sim fora deles, desde que tivemos clássicos em alguns estados do Brasil, e com exceção do Vasco x Fluminense e desse Cruzeiro x Atlético, nada de anormal aconteceu, mesmo longe das dependências dos jogos, inclusive em Pernambuco, onde os torcedores do Náutico lotaram a sua área reservada.
Colocar uma torcida única dentro de um estádio é certamente dar um atestado da incapacidade do estado de controlar os marginais, que não formam a maioria dos torcedores e, assim, esses se fortalecem e criam uma maior autonomia para continuarem procedendo com violência.
Esse sistema adotado em Minas cria um direito de posse do torcedor, e como se torna dono do pedaço, procede de maneira incoveniente, como aconteceu no clássico mineiro, onde apedrejaram o ônibus do Atlético, e com a polÃcia, como sempre, agindo com violência e com o famoso gás pimenta e outros accessórios.
No campo de jogo arremessaram em protesto contra a arbitragem restos de comida e copos, e como acham-se com o direito de tudo passaram a pressioinar os jogadores do clube sem torcida e, principalmente, a arbitragem.
Os que são responsáveis pela segurança deveriam entender que dando um campo de jogo a uma única torcida, estão entregando o poder de mando a essa, que se tivesse o contraponto de uma torcida adversária também presente, teriam um outro comportamento, pois o poder seria dividido.
Isso são assuntos da antropologia e sociologia, que deveriam fazer parte do currÃculo dos estudiosos pela segurança em eventos.
Não podemos deixar a essência do futebo morrer, quando se tira de um estádio o seu torcedor, e sim que os responsáveis pelo policiamento possam enfim se planejarem para que os provocadores fiquem longe, e a grande maioria que deseja participar de um evento assim o faça, na certeza de que não teremos nenhum fato a lamentar no seu final.
Cercam-se os estádios e as respostas vêm das ruas. Isso é que precisam entender.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









