Histórico
Brasileiro da Série C
Hora da redenção
postado em 04 de agosto de 2012

CLAUDEMIR GOMES

O Santa Cruz está devendo uma boa apresentação, e resultados expressivos, a sua fiel torcida na campanha que vem descrevendo na Série C. Portanto, o jogo com o Icasa, hoje à tarde, no Arruda, é um momento bastante propício para o técnico Zé Teodoro e seus comandados resgatarem esta dívida.

A condição de líder ostentada pelo adversário é imperativa, contudo, em casa, com o respaldo dos "guerreiros corais", o Tricolor do Arruda tem que fazer o que não conseguiu nas três partidas que disputou como mandante: atropelar o adversário.

Na busca desta desejada arrancada, o time irá a campo com novidades na lateral esquerda e no meio campo. Com as mexidas Zé Teodoro espera equilibrar a equipe, e obter como resposta uma melhor produtividade. Se observarmos os números veremos que o que separa o líder Icasa do sétimo colocado Santa Cruz é uma vitória, ou seja, três pontos. Nada melhor para traduzir o equilíbrio da disputa.

A vitória tricolor hoje à tarde não se resume a conquistas de posições na tabela de classificação. Antes de qualquer coisa ela anula o efeito psicológico. Afinal, sétimo é sétimo em qualquer campeonato do mundo.  




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Olimpíada
Não façam cobranças
postado em 03 de agosto de 2012

CLAUDEMIR GOMES

Um título mundial é sempre respeitado, e serve como cartão de apresentação até que um novo campeão seja anunciado. Dessa forma, a seleção de futebol feminino do Japão chegou para disputar os Jogos de Londres na condição de favorita por ser a atual campeã mundial da modalidade. Mas a sua campanha na fase eliminatória - uma vitória e dois empates - deixou a desejar.

A Seleção Brasileira tem a jogadora Marta, por cinco vezes escolhida pela FIFA como a melhor do mundo, como seu cartão de apresentação. Na preliminar, as meninas brasileiras venceram duas partidas e perderam uma. Hoje, as duas seleções se confrontam nas quartas de final das Olimpíadas. O título mundial é imperativo, entretanto, se Marta voltar a brilhar e ser determinante, o que não aconteceu até o momento, o Brasil tem chance de passar para as semifinais.

Se existe uma modalidade esportiva que os brasileiros não podem cobrar medalhas é o futebol feminino, que sempre foi tratado pela CBF e pelos grandes clubes brasileiros como indigente. O único clube que fez um investimento louvável na categoria foi o Santos, mesmo assim, ano passado acabou com o departamento.

O futebol feminino no Brasil vive escondido. Podemos até citar o exemplo de Pernambuco, onde o estadual da modalidade é tratado como subproduto. Evidentemente que o País inteiro estará torcendo pelo sucesso das meninas, e será uma grande farra se elas conquistarem o ouro. Mas se tal objetivo não for alcançado, por favor, evitem cobranças.


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Olimpíada
Atletas ou turistas?
postado em 03 de agosto de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, ATLETAS OU TURISTAS?


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O número de participantes de uma delegação não é sinônimo de qualidade e de conquistas de medalhas.

Quando observamos que o Brasil enviou 258 atletas para Londres e o retorno que vem acontecendo nas diversas provas, demonstra que muitos desses fazem parte do roteiro turístico da cidade.

Os cartolas afirmam que os levaram para o amadurecimento, o que até poderia ser compatível com a realidade dos esportes, mas a verdade é bem outra, já que nossa delegação tem muito pouco de renovação e muito mais de continuismo. Aliás, essa refelte a cara dos seus dirigentes. Entraram no esporte e não saíram mais.

Ontem, logo cedo, vimos um atleta do Judô, Luciano Corrêa, já bem rodado, sendo eliminado nas oitavas de final. Nos questionamos quando todos sabiam que ele não tinha mais a perfomance exigida para uma Olimpíada, mas lá estava. Apesar disso, esse esporte apresenta boas promessas e bem jovens que poderão sem dúvidas trazer alegrias para o país e fez a sua melhor campanha em Olimpíadas.

Culpa do Luciano? Claro que não. Culpa dos formadores das equipes.

Na natação, uma ou outra cara nova, que se contentaram com as últimas colocações nas eliminatórias. Certamente existe um equívoco com relação ao amadurecimento, e esse se faz em competições mundiais durante uma temporada, e não essas brincadeirinhas de provas no próprio país, ou na Sul-América, que tem problemas maiores do que os nossos.

O que foi fazer Fabiola Molina numa Olimpíada com 38 anos de idade? Qual o seu futuro na modalidade? Também foi daquelas que ficaram contentes com o melhor tempo pessoal.

Uma das coisas mais bizarras está relacionada quando os narradores e comentaristas referem-se às conquistas do pan-americano, recordes sul-americanos e pessoais. Nada disso influencia nos resultados de uma olimpíada, pois são atividades de terceira divisão dos esportes.

Um bom exemplo do que estamos discutindo encontramos no Remo. Assistimos a algumas provas e as participações de nossos representantes foram pífias. Nenhuma semi-final e a maioria sendo eliminada na prova de classificação.

No próprio país, esse esporte encontra-se em decadência, precisando de uma renovação e apoio, e que as participações em jogos Olímpicos só fossem procedidas quanto tivessem índices que pelos menos os levassem as finais.

Os remadores passearam em Londres.

Tivemos a oportunidade de assistirmos a uma entrevista de uma atleta brasileira da modalidade tiro. Alegre por ter participado e conquistado a última colocação. O mais interessante é que o treinador é seu esposo. Turismo familiar.

Na quase totalidade dos esportes individuais isso vem acontecendo, e nos faz refletir de que era melhor enviarmos menos atletas, mas com mais qualidades para as provas que iriam disputar.

Estamos continuando com o esporte olímpico romantico, que é bonito, mas para um país continental, com recursos disponíveis, tal procedimento não se enquadra na realidade esportiva mundial.

Turismo é para os cartolas, e não para atletas.

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Olimpíada
Vale a pena?
postado em 03 de agosto de 2012


ANTONIO PRATA - FOLHA DE SÃO PAULO


Vendo esses atletas ganharem medalhas, quebrarem recordes, suarem a camisa e botarem os bofes pra fora na terra, na água e no ar, oscilo entre a admiração e a pena. Admiração pelo talento, e, principalmente, pela força de vontade. Ó o Phelps: o cara tá nadando desde os sete anos de idade, tá há 12 competindo em Olimpíadas, querendo se tornar o maior medalhista de todos os tempos e então, pronto, tornou-se. Bonito. Mas essa mesma força de vontade, tão desproporcional quanto as coxas do Robert Förstemann -aquele ciclista alemão que parece primo do He-Man- me dá certa pena.

Coitados desses caras! O Thiago Pereira disse que chega a vomitar após alguns treinos. Cesar Cielo falou que sai das provas quase desmaiando. Esse pessoal tá se preparando desde criancinha, atravessou a adolescência focado, deixou de namorar, de viajar com os amigos, de passar mal depois de beber Campari com Fanta Uva, enfim, deixou de fazer todas as besteiras fundamentais da juventude para conseguir encostar numa parede 0,2 s antes, pular 1 cm mais alto, levantar 1 kg a mais. Valerá a pena tanta dedicação?

Veja, não é a inutilidade dos feitos que me incomoda. Pelo contrário. Acho que, num mundo sem Deus e sem sentido, é uma postura nobilíssima dedicar a vida a um jogo. Que bela vingança contra a morte, que elegante desdém diante do vazio é especializar-se em meter uma bola entre três traves, em rebater uma peteca por cima da rede, em dar piruetas e depois cair numa piscina. Mas só vale se for possível extrair dessas atividades algum prazer -e, com o nível de exigência que o esporte alcançou, acho difícil que os atletas estejam se divertindo.

Quando Phelps chegou em quarto, na sexta-feira passada, muitos se perguntaram se ele teria realmente treinado menos do que o necessário e se, depois de duas Olimpíadas de glória, Londres seria um fiasco. Secretamente, torci por isso. Não porque queira mal ao nadador, mas porque achei que veríamos então, finalmente, no meio de tantos super-heróis, um espetáculo humano, demasiado humano: um homem que tinha tudo para ser o maior de todos os tempos e deixou a chance escapar -por preguiça, por tédio, por irresponsabilidade ou qualquer outra fraqueza comum a todos nós. Esse fracasso seria uma lição bonita, mais bonita que suas vitórias.

O slogan de Londres 2012 é "Inspire a generation": Inspirar uma geração. Inspirar para quê? Para que essa geração aprenda a abrir mão de tudo e aguente toda a dor necessária em nome de um objetivo? É uma postura boa para construir campeões e malucos. Daí saem medalhistas, soldados e fiéis. É pra isso que serve o esporte? É isso o que queremos da vida?

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Olimpíada
Convite à marmelada
postado em 02 de agosto de 2012


EDGARD ALVES - FOLHA DE SÃO PAULO


A tentativa de "marmelada" de oito atletas do badminton provocou o primeiro escândalo da Olimpíada, em Londres. Todas foram colocadas para fora dos Jogos. A intenção das quatro duplas -uma da China, outra da Indonésia e duas da Coreia do Sul-, segundo as acusações, seria perder uma partida para facilitar o caminho no torneio, ou seja, pegar adversárias mais fracas no cruzamento eliminatório das quartas de final.

Acontece que o público percebeu a farsa e vaiou. O Comitê Organizador dos Jogos e o COI consideraram os fatos inaceitáveis. Não poderia ser diferente, uma disputa olímpica virar blefe, enganação. As atletas levaram a pior, mas o público também acabou punido, pagou para ver um jogo que virou fraude e não terá ressarcido o valor dos ingressos.

Esporte de raquete mais rápido do mundo, o badminton é uma espécie de tênis de campo, em que, em vez de bolinha, rebate-se uma pequena peteca. Foi introduzido na Olimpíada em Barcelona-1992. Especialistas já haviam aventado a hipótese de ocorrer corpo mole, porque a modalidade, que costuma adotar disputas inteiramente pelo sistema de mata-mata, desta vez optou por uma fase de grupos antes dos confrontos eliminatórios. Entre as excluídas estão as chinesas Yu Yang e Wang Xiaoli, campeãs do mundo de 2011 e líderes do ranking mundial, que perderam de maneira surpreendente por 2 a 0 para as sul-coreanas Jung Ky-ung e Kim Ha-na.

O fantasma da "marmelada", no entanto, não é novidade. De tempos em tempos coloca alguma equipe sob suspeita, pois o regulamento com fase de grupos seguida de mata-mata, adotado por várias modalidades, é como revólver na mão de macaco. Não dá para saber o que vai acontecer e corre-se o risco de tiro para todos os lados.

Caso semelhante ocorreu com a seleção brasileira masculina de vôlei na campanha do tri mundial, na Itália, em 2010. O Brasil, favorito e já classificado, perdeu da Bulgária e driblou confronto com Cuba. Os jornais locais bateram forte, com termos como escândalo e farsa. Mariana Bastos, enviada da Folha ao Mundial, destacou uma manifestação de Andrea Zorzi, ídolo do vôlei italiano, que escreveu ter ficado com o estômago embrulhado.

A torcida, em protesto, deu as costas para a quadra e gritou "buffoni" (palhaçada). O técnico Bernardinho negou a intenção de entrega do jogo, mesmo tendo escalado alguns reservas. Alegou o temor de lesões. E até formulou uma manchete caso tivesse sido diferente: "Bernardinho arrisca tudo por um jogo que não vale nada e dá adeus ao tri".

Situação controversa: jogou ou não com o regulamento debaixo do braço? A essa mesma pergunta, em Londres, o badminton não vacilou na resposta. Sim.

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