Histórico
Olimpíada
Por um sábado dourado
postado em 11 de agosto de 2012

CLAUDEMIR GOMES

Porque hoje é sábado estou vislumbrando um horizonte dourado. O pessimismo de alguns torcedores que estão supervalorizando o futebol mexicano, não pode ser maior que a nossa esperança de conquista da inédita medalha de ouro do futebol olímpico. Uma seleção que descreveu uma campanha com média de 3 gols por partida, merece o crédito dos 200 milhões de brasileiros.

Se vai jogar bem ou mal, isto será um pequeno detalhe, que ficará imperceptível se Neymar e companhia colocarem a medalha dourada no peito. Em virtude da qualidade técnica dos adversários que o Brasil superou até chegar à final, estão chamando a cobiçada conquista de "ouro de tolo", numa espécie de advertência para não ficarmos iludidos em relação à Copa de 2014. Mas isto é um bom tema para análises e discussões futuras. Hoje é um sábado especial, e temos o direito de nos embriagarmos com o ouro. Naturalmente que para tal deleite é necessário que a seleção de Mano Menezes passe pelo México.

Aposto no feito, até porque não quero vivenciar frustração similar a que nos foi imposta pela União Soviética em 1988, em Seul. O Brasil de Taffarel, Dunga e do artilheiro Romário, nos deixou com um nó na garganta. Em final não tem favorito porque são muitos os componentes que atuam antes e durante a partida. Não chegamos à decisão de grão em grão, mas de três em três gols. Faltam os últimos três, e Leandro Damião está consciente disso.


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Brasileiro Série A
Em queda
postado em 10 de agosto de 2012

CLAUDEMIR GOMES

Com a disputa da décima-quinta rodada da Série A, foi fechado o terceiro ciclo da competição. Cada ciclo é comporto por cinco jogos, fato que nos proporciona uma análise precisa sobre a campanha dos clubes.

Os números atestam uma queda gradual e progressiva no desempenho do Náutico, que no primeiro ciclo - 1ª a 5ª rodada - somou 7 pontos. Da 6ª a 10ª os alvirrubros contabilizaram 6 pontos, e no terceiro ciclo - 11ª a 15ª - a produtividade caiu para 4 pontos.

O Sport, que no primeiro ciclo somou 5 pontos, apresentou uma evolução no segundo quando contabilizou 7, e caiu de forma sensível no terceiro com apenas 2 pontos ganhos em 5 partidas, com o agravante de que, 3 confrontos foram disputados na Ilha do Retiro. O mando de campo tem sido determinante. Os alvirrubros disputaram 21 pontos nos Aflitos e somaram 13, o que representa um aproveitamento de mais de 60% como mandante.

O aproveitamento dos rubro-negros na Ilha do Retiro foi inferior a 40%: em 24 pontos disputados contabilizaram 9. Ambos, Sport e Náutico, têm um aproveitamento muito baixo como visitantes. O time de Alexandre Gallo não atingiu 2% nos 28 pontos disputados fora de casa. O Sport de Vágner Mancini teve um aproveitamento de 2,3% nos sete jogos que fez na casa dos adversários.


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Jorge Amado - 100 anos
O comunista e a Santa
postado em 10 de agosto de 2012

Por ROBERTO VIEIRA


1987.
Estava em Salvador.
Cascavilhando a mim mesmo.
Cidade alta, velha pensão.
Um quartinho onde viveu o jovem Jorge Amado.
Paisagem diferente da mansão à beira mar onde morreu.
O homem que era nada.
O homem que tornou-se cravo e canela.
Lembro que me emocionei na paisagem do escritor ainda moço.
E fiquei olhando para aquele mar de todos os santos e comunistas.
A vida é o pelourinho da alma.
Dona Flor?
O remédio.
Durante minha estada em Salvador.
Futebol era assunto de conversa.
Popó!
Um senhor de cabelos brancos e cigarro nos lábios
me contou a seguinte história:
"Popó!"
Salvador de todos os santos e negros era branca.
Pelo menos nos times de futebol.
Ate chegar o Popó.
Popó de habilidade incomparável.
Jorge Amado gostava da bola.
De política.
Mas como futebol podia ser branco?
O Ypiranga se revolta.
"Trabalhadores de todo mundo, jogai bola!"
Salvador assiste horrorizada a plebe rude fazendo gol.
Jorge Amado se veste de amarelo.
Naquela mesma casa pobre.
Olhos postos no mar.
Popó marcando gols.
Jorge Amado não resiste.
Campo da Graça.
O jovem escritor grita gol de Popó.
Ao seu lado.
Uma menina e seu pai.
Pulam em delírio.
Jorge Amado se abraça aos dois.
O comunista e a santa.
Não resisti e perguntei:
"Santa?"
O velho senhor de cabelos brancos e cigarro nos lábios, sorri.
"Pois é... Irmã Dulce já era torcedora do Ypiranga!"
Escureceu.
Já não havia homem velho.
Já não havia cigarro.
Apenas o mar da infinita Salvador.
Voltei caminhando para a Pousada.
O farol me indicando o descaminho.
Eu e meus pensamentos.
O futebol era Dona Flor e seus dois maridos.
Terra de comunistas.
E santos.
Todos os santos...

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Artigos
Corpos olímpicos
postado em 10 de agosto de 2012


ANTONIO PRATA - FOLHA DE SÃO PAULO


"Eu trocaria todos os poemas de Baudelaire por uma nadadora olímpica" -escreveu Céline. Talvez o leitor e a leitora não compartilhem da predileção do escritor francês pelas nadadoras e preferissem abrir mão das "Flores do Mal" (ou mesmo de todas as flores da literatura ocidental) por uma saltadora lituana, um velocista jamaicano, uma jogadora de vôlei de praia -qualquer uma, desde que viesse em seus diminutos trajes, correntinha no tornozelo e um pouco de areia, só um pouco, grudada no bumbum.

As opções são infinitas, afinal, os Jogos Olímpicos são, além de um evento esportivo, um negócio bilionário e uma opereta geopolítica, um rico catálogo para as mais diversas fantasias.

Quantas donas de casa não têm, desde o dia 27, em seus devaneios cheirando a Limpol, casos secretos com remadores dinamarqueses? Quantos maridos preguiçosos não encontraram o ânimo perdido, inflados pela brisa que soprou as velas nas provas femininas de windsurfe?

De repente o garoto esquece o vestibular, a tabela periódica, a Guerra do Peloponeso, os ditongos crescentes, decrescentes e nasais e fica ali, diante da TV, os globos oculares seguindo as coxas saltitantes da ginasta romena -ah, se ela me desse só uma chance, cinco minutos, eu me virava na mímica, fazia uma rosa de guardanapo, largava o cursinho, passava o resto dos meus dias lavando pratos em Bucareste pela ginasta romena, pelas coxas da ginasta romena!

Ter um rosto bonito é resultado da injusta loteria do cosmos, mas um corpo, não: basta fazer exercício -e exercício, bom, é basicamente só o que fazem esses 10.500 atletas, desde criancinhas. O resultado está aí, em HD e "wide screen", pelos quatro cantos do planeta.

Londres-2012, aliás, é a primeira Olimpíada a que boa parte dos brasileiros assiste em alta definição, e a qualidade da imagem deixa estranhamente próximos, quase tangíveis, esses e essas que o tubo catódico só ajudava a endeusar. Você vê narinas arfantes, panturrilhas contraindo-se e expandindo-se, vê poros, pintas, suor e fios de cabelo.

Por alguns momentos, a dona de casa acha que os remadores dinamarqueses estão em seu sofá, o marido desanimado vê as velejadoras singrando seu carpete, o garoto abre os braços para segurar a ginasta romena que se desequilibra na trave.

Vamos sonhando, minha gente. Para isso também serve a Olimpíada, para alimentar devaneios e solitárias esperanças. "Solitária Esperança", por coincidência, é o nome de uma das musas destes Jogos, a goleira americana Hope Solo. Ok, um professor de inglês certamente discordaria de minha libérrima tradução, mas e daí? Eu trocaria todos os professores de inglês pela goleira americana.

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Olimpíada
Os investimentos britânicos
postado em 10 de agosto de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, OS INVESTIMENTOS BRITÂNICOS


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Quando acompanhamos o Quadro de Medalhas das Olimpíadas de Londres, vemos a excelente perfomance da Grã-Bretanha, ficando atrás apenas de China e Estados Unidos, as duas maiores potências olímpicas do mundo.

Por curiosidade e para compararmos com o que se faz no Brasil, procuramos nos inteirar sobre os procedimentos realizados para que o país chegasse a tal nível olímpico.

Em todos os esportes que contavam com atletas do Reino Unido, observávamos a empatia da sua torcida com os que estavam competindo, que era formada pelo mais simples habitante da cidade, até os membros da família real.

Lemos uma entrevista do diretor de esportes do Comitê Olímpico Britânico, Andy Hunt, publicada no jornal Estado de São Paulo, afirmando que essas conquistas são relativas a um projeto de mais de uma década, e que envolveu pesados investimentos.

Na verdade, o dinheiro destinado aos esporte olímpico foi multiplicado por mais cinco em doze anos. Para os jogos de Sidney o orçamento foi de 58 milhões de libras. Na ocasião, os britânicos somaram 28 medalhas. Para 2012, o valor destinado foi de 313 milhões de libras. Os resutados vieram. Até agora 52 medalhas, das quais 25 de ouro.

O projeto começou em 2000, com investimentos em todas as áreas. Verificamos que os caminhos percorridos foram bem traçados. Os recursos, em sua maior parte, vieram da Loteria. Um outro ponto importante é que são várias as competições para um atleta entrar na equipe britânica, e se não tiver perspectiva de medalhas não é convocado. Os índices de classificação, acompanham de perto os olímpicos.

Nada mais simples e elementar como diria o personagem inglês Sherlock Holmes, ou seja, um bom planejamento e sobretudo a aplicação correta dos recursos.

O Brasil nesse ciclo olímpico de 4 anos investiu quase que a Grã-Bretanha em 10. Nesta última, os resultados apareceram, enquanto em nosso país o pinga-pinga de medalhas é constrangedor.

Na Grã-Bretanha não existe a terceirização dos esportes através de ONGS, como acontece no Brasil, onde recebem verbas volumosas, que na maioria se perdem no caminho, e vão para os caixas pessoais ou de partidos políticos.

São exemplos como os dos ingleses que deveríamos estudar, mas com os dirigentes que temos seria chover no molhado.

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