JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Em uma postagem anterior discutimos a renovação
antecipada dos contratos dos direitos de televisionamento dos jogos do
Campeonato Brasileiro entre a Rede Globo e os clubes do futebol brasileiro,
quando ressaltamos que na luz da economia esse procedimento era lesivo para os
seus futuros, e benéfico para a empresa que tem as prerrogativas da transmissões
dos eventos.
Quandos as entidades se submetem, certamente estão recebendo luvas e com isso antecipando criminosamente receitas futuras, que no decorrer do tempo farão falta aos seus caixas.
Lemos no dia de ontem um excelente artigo do lúcido jornalista Erich Betting, que focou o assunto e corroborou decididamente com o que escrevemos, o que nos mostrou que embora a maior parte da mÃdia se cala, existe alguém que não nos deixou sozinhos com referência a tal discussão.
O jornalista considerou que tais negociações enfraqueceram o futebol brasileiro, mesmo considerando que em termos de valores absolutos os acordos têm trazidos altos recursos para os clubes, mas formulou uma pergunta: O que significa para o futebol, no longo prazo, a extensão em 2012, de um acordo até 2018 com a televisão?
Essa pergunta nós já respondemos em nosso artigo, e Betting nós forneceu mais subsÃdios, quando lembra que o mercado nacional das mÃdias deverá mudar radicalmente com a entrada da Internet 4G, com a sua popularizão. Os nossos dirigentes na ânsia de receberem recursos, desde que as famosas antecipações desapareceram, esqueceram que o futuro da TV aberta não é muito promissor, desde que se trata de uma audiência em curva descendente, comprovada devidamente.
Existe um outro aspecto e isso já acontece em diversas partes do mundo, que é a criação da parte dos clubes de seus próprios canais de mÃdia e sobretudo o uso da internet para a divulgação de suas mensagens. Quando se entrega até 2018 a uma única emissora todos esses direitos, é não ter o mÃnimo de visão, da macroeconomia, pois fecham as portas para as concorrências ou para as atividades próprias.
Será que entre os cartolas do nosso futebol, nenhum vislumbrou todas as manobras que foram realizadas para que esse fato acontecesse, a partir da implosão do Clube dos 13, que não era uma grande coisa, mas de qualquer maneira tratava o assunto no aspecto coletivo, quando hoje impera o individual?
As notÃcias que lemos essa semana, com a solicitação da Globo à CBF, para a mudança de alguns jogos do Brasileiro, para colocar o Corinthians e Flamengo como suas atrações, e os demais clubes se calarem por conta das luvas prometidas, nos deixam na certeza que apesar das boas receitas o futebol nacional continuará nessa marcha lenta, pois faltam dirigentes com condições de abrir uma discussão, mostrando que tais procedimentos estão nos levando ao fundo do poço.
A colocação desses clubes em substitução aos demais é apenas uma tentativa de desfocar os Jogos OlÃmpicos de Londres, já que a tentativa da vinda dos dois grandes clubes espanhóis falhou, e a maneira mais adequada foi convencer os nossos cordeirinhos a procederem de tal maneira.
Isso é o futebol brasileiro.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







