Histórico
Brasileiro Série A
Defender para vencer
postado em 07 de julho de 2012

Claudemir Gomes

No futebol de resultados os números dão o norte às campanhas, alimentam esperanças e referendam desilusões. Numa comparação direta das campanhas do Náutico e do Atlético/GO, que se confrontam hoje à noite, em Goiânia, não há como não pensar de forma otimista numa vitória alvirrubra, que seria a primeira a ser contabilizada pelo time dos Aflitos na condição de visitante.

Os céticos podem até alertar para o fato de os clubes pernambucanos tropeçarem, com frequência, diante dos adversários que se encontram na zona de rebaixamento. Verdade. Contra fatos não há argumentos, contudo, prefiro apostar na indicação dos números.

O Náutico só perde para o Atlético/GO no item gol contra. A defesa atleticana foi vazada 14 vezes, enquanto a rede alvirrubra foi balançada em 15 oportunidades. Em contrapartida, o ataque do Atlético/GO marcou apenas 4 gols, contra 8 anotados pelos comandados de Alexandre Gallo. Creio que os dois treinadores tenham queimado seus neurônios na tentativa de deixarem suas equipes menos vulneráveis.

O Náutico precisa vencer, sob pena de terminar a rodada na zona de rebaixamento. Regra básica no futebol: o primeiro passo para se construir uma vitória é não sofrer gols. A partir daí é possível entender porque definir o time com tantos jogadores de contenção para enfrentar o lanterna. Coisas do futebol. 

leia mais ...

Acontece
Nada zen
postado em 07 de julho de 2012
EDUARDO OHATA - FOLHA DE SÃO PAULO

Os primeiros golpes da revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen, um dos combates mais aguardados nos últimos tempos no MMA (artes marciais mistas), foram desferidos antes do gongo soar na próxima madrugada, no hotel MGM, em Las Vegas.

O primeiro duelo teve contornos épicos. Após ser dominado por quatro assaltos e meio, o brasileiro manteve o título dos médios do UFC ao finalizar o norte-americano.

Após o combate, Sonnen justificou todas as provocações que fez a Anderson, a seus amigos e ao Brasil como uma estratégia profissional.

"Após a luta, ele [Sonnen], humilde, veio falar comigo e disse que tudo o que falou era uma forma de ''vender'' o combate", diz Rodrigo "Minotauro" Nogueira, amigo e mestre de jiu-jítsu de Anderson.

Anderson acompanhava as provocações de Sonnen de forma impassível. Até que o americano mexeu com sua mulher, Dayane.

Em uma entrevista a uma rede de TV canadense, Sonnen afirmou, em uma linguagem chula, que iria invadir a casa do brasileiro, dar um tapa nas nádegas de sua mulher e fazê-la fritar um bife.

Publicamente, Anderson disse que Sonnen merecia ser ignorado. Mas a pessoas próximas Anderson desabafou e chamou o rival de "babaca".

Um produtor do programa onde Sonnen fez a provocação disse que o americano reconheceu ter passado da conta em duas de suas declarações. Uma delas teria sido a polêmica frase sobre Dayane.

Não bastassem as provocações de Sonnen, que se multiplicavam, outras dificuldades surgiram para o "Spider".

Causou estranheza o fato de o presidente do UFC, Dana White, ter viajado ao país para anunciar algo que já era de conhecimento da mídia: que a revanche, acertada para acontecer no Brasil, fora transferida para Las Vegas.

Tratou-se, na verdade, de um trabalho de convencimento da parte de Dana, já que Anderson não abria mão de o combate ser no Brasil.

No momento mais crítico da negociação, Anderson disparou que seus valores vão além de um cinturão. Mas foi convencido a conceder a revanche na casa do rival.

Anderson cogitou pedir um exame antidoping antes da luta, já que Sonnen foi flagrado após o primeiro duelo.

Qual não foi sua surpresa quando a Comissão Atlética de Nevada permitiu ao americano o uso de testosterona, por "razões médicas".

Quem reapareceu nos eventos promocionais do UFC foi um Anderson diferente.

Em teleconferência na semana passada, o lutador que tem a sequência mais longa de vitórias no UFC (14) e recorde de defesas de título (9), definiu Sonnen como "um marginal" e acrescentou que quebrará todos seus dentes.

Ontem, após a pesagem, acertou um golpe com o ombro no rosto do rival.

"Acho que da parte do Sonnen não é real [a animosidade], mas da parte do Anderson é", disse Demian Maia, que já enfrentou os dois.

Com a aproximação da luta, Sonnen tem ficado mais comedido em suas declarações. Até disse: "Nada tenho contra os brasileiros".

leia mais ...

Santa Cruz
Pedido com atraso
postado em 06 de julho de 2012

CLAUDEMIR GOMES

Após a conquista do bicampeonato estadual o Santa Cruz passou quase cinquenta dias sem disputar um jogo oficial. Na sua estréia na Série C, diante de um público de mais de 26 mil torcedores, os tricolores empatam com o Guarany de Sobral. Resultado ruim, uma vez que o clube atuou na condição de mandante. No dia seguinte o técnico Zé Teodoro reivindica mais reforços. Por mais que os dirigentes assimilem os fatos com naturalidade, e tentem repassar da mesma forma para os torcedores, não é fácil digerir o que fora do futebol se chamaria de negligencia.

O Santa Cruz, como todos os outros clubes que disputam a Série C, teve tempo de realizar uma intertemporada, reavaliar o grupo e fazer os investimentos necessários. O trabalho que Teodoro vem realizando no Arruda, desde o ano passado, é o maior aval que o treinador poderia ter, entretanto, isto não lhe exime de erros. O grupo já deveria ter sido fechado há muito tempo, até porque, se existem carências, elas eram do conhecimento do comandante.

Portanto, esta corrida contra o tempo em busca de jogadores para melhorar a qualidade do elenco tricolor, poderia ter sido evitada. Mas como diria o mestre Adonias de Moura, um dos tricolores mais centrados que conheci, "o futebol tem razão que a própria razão desconhece". E assim tudo acontece com a maior naturalidade possível. E os paredros aceitam.  

leia mais ...

Artigos
Rômulo, o Porto e os nossos Grandes Clubes
postado em 06 de julho de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, RÔMULO, O PORTO E OS NOSSOS GRANDES CLUBES


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Em uma conversa com o jornalista Claudemir Gomes, colunista do Jornal Folha de Pernambuco, e que tem uma larga experiência e sobretudo competência na área do jornalismo esportivo, discutimos o trabalho efetuado pelo Clube do Porto em relação aos nossos clubes da capital na formação de jogadores.

Na realidade esse tema surgiu quando analisávamos os valores que serão recebidos com a negociação do jogador Rômulo, com a parcela dos seus direitos econômicos e o percentual de formador que é determinado pela Fifa.

Fizemos um retrospecto e verificamos a ineficiência dos nossos chamados grandes clubes. Quando repassamos os elencos hoje em atuação, apenas o Náutico tem um atleta da base, no caso Aureni. No Santa Cruz, os que estão jogando são produtos de uma formação já longe, e no Sport pontualmente jogam Ruan e Renato, e assim mesmo por poucos minutos, e também produtos de anos atrás.

Verificamos que as últimas transações de maiores vultos procedidas por essas agremiações foram a de Daniel Paulista, do Sport, e Gilberto, do Santa Cruz, sendo que o primeiro não era atleta da base do clube, e ambas no valor de R$ 2 milhões.

Tivemos a transação de Ciro pelo rubro-negro da Ilha do Retiro, mas sobre essa não temos  a menor ideia do valor negociado, desde que até o Balanço do clube omitiu o fato.

Realmente algo está errado no trabalho de base dos nossos clubes, que apanham de feio do pequeno Porto de Caruaru. O que José Porfirio tem e que esses não o tem?

Podemos responder: competência, e sobretudo visão do futuro. 

O trabalho de base tem que ser procedido de maneira inteligente, com atletas sendo olhados com seres humanos e não objetos passíveis de negociações. Os Centros de Formação deverão estar situados em áreas próximas as cidades, que possam dar o apoio necessário para aqueles que estão participando desse trabalho.

O CT do Náutico poderia ser um excelente CF, por estar dentro dos perímetros do Recife, e com um terminal de ônibus à sua porta. Um verdadeiro poço de petróleo para um bom projeto formador.

A escola é fundamental para que possa dar o rumo necessário ao atleta, além do apoio psicológico e a asistência a sua família. Formam um conjunto de fatores que proporcionam um bom trabalho e um retorno positivo para o futuro.

Os treinadores deverão ter um bom nível e experiência no setor de formação e principalmente que possam acompanhar o mercado de novos talentos para a formatação de seus grupos.

A formação de atletas é o primeiro grau da escola, ou seja, a base de tudo. Com uma boa preparação, tudo correrá com tranquilidade no futuro.

Nada disso é feito, os clubes brincam que estão formando jogadores, e esses brincam que terão futuro, mas a realidade é totalmente outra. Nenhum fruto é colhido, demonstrando que são projetos feitos de forma errada e em terrenos incapazes de fazerem crescer as sementes plantadas.

Caruaru, com o seu, Porto dá uma aula aos dirigentes de nossos clubes.

leia mais ...

Acontece
Um dia inesquecível
postado em 05 de julho de 2012
CLAUDEMIR GOMES

O estádio Sarriá, em Barcelona, sequer existe mais. Foi vendido pelo Espanhol - Reial Club Deportiu Espanyol de Barcelona -, e deu lugar a um complexo imobiliário. Sinais dos tempos. Mas o tempo não consegue apagar algumas lembranças de fatos que ocorreram na simpática praça de esportes. O 5 de julho de 1982, por exemplo, é inesquecível para mim, e para milhões de brasileiros.Passaram-se trinta anos, mas as lembranças continuam bem vivas. 
O mestre Adonias de Moura me escalou para cobrir a Argentina, então campeã do mundo, na Copa da Espanha. Os hermanos tinham um time fantástico, reforçado com a genialidade de Maradona, mas estavam sendo minados por um adversário implacável, no outro lado do Atlântico: a Guerra das Malvinas. Acompanhamos todos os passos do time de César Menotti até a derrota para o Brasil - 3x2 - no estádio Sarriá, no dia 2 de julho. A perda da guerra inviabilizou a conquista do bi da Argentina. Para os torcedores brasileiros, o 2 de julho de 1982 foi um dia alegre e de comemoração nas Ramblas, via mais famosa de Barcelona.
A alegre e fascinante Capital da Catalunha foi invadida, e colorida, por uma torcida verde e amarela que sambava e participava de todas as grandes rodas que eram formadas em rápidas demonstrações de dança flamenca. Após conviver 15 dias com um grupo que diariamente chorava com as notícias de perdas de entes queridos numa guerra, sem cabeça para disputar uma Copa do Mundo, lá estava eu na companhia do mestre Telê Santana e seu exercito cuja marca registrada era o talento. Um time que encantava o mundo com o futebol arte, programado para vencer, e que nunca foi treinado para se defender.
No dia 5 de julho, pela primeira, naquele mundial, eu estava definitivamente envolvido com a Seleção Brasileira. A "missão argentina" havia terminado. E dizia cá com meus botões: ao tetra. Tudo parecia muito claro e definido. Afinal, nosso adversário era a Itália, que surpreendentemente superava uma crise. Mas, um time que tinha Zico, Sócrates, Falcão Cerezo, Júnior, Leandro, Oscar e Eder não podia temer nenhum adversário.
Infelizmente o "sobrenatural de Almeida" também baixou no Sarriá, e tinha o nome de Paulo Rossi. Ao Brasil, o empate era suficiente para ir às semifinais. Logo aos 5 minutos de jogo, a surpresa: Itália 1x0, gol de Rossi. Nada que nos assustasse. Havia tempo de sobra para mudar o rumo da história, e o Brasil tinha time para isto. Sócrates empatou aos 12 minutos. Alívio verde e amarelo. Mas os "meninos" do mestre Telê não estavam num dia iluminado. Do outro lado, o talismã italiano era reluzente. Novamente Paulo Rossi coloca a Itália em vantagem aos 25 minutos. O jogo passou a ser dramático até que Falcão empatou aos 23 do segundo tempo. Naquele momento dei início à contagem regressiva. Na tribuna de imprensa todos nós jornalistas brasileiros iniciamos uma verdadeira luta contra o tempo. A 15 minutos do final, Paulo Rossi marca o terceiro gol, no mais doloroso "arrivederci".
Do Sarriá para o centro de Barcelona, nosso hotel ficava a um quarteirão da Ramblas, era uma tirada considerável. Saímos, eu e o Fernando Menezes, do Jornal do Commercio, caminhando por ruas e avenidas, como dois zumbis, sem atinar para o fato de que a cidade continua alegre e mágica, só que estava com outras cores. As cores da Itália campeã. Confesso que, ainda no estádio, chorei. Dezenas de cronistas choraram. E as lágrimas voltaram a cair em 94, com a alegria da conquista do hexa. Com doze anos de atraso.


leia mais ...