JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A postagem que fizemos sobre a prorrogação do
contrato dos direitos televisivos para a transmissão do Brasileiro com a Rede
Globo até o ano de 2017, teve uma boa repercussão e que nos motivou a voltar a
escrever sobre o assunto.
A emissora está no seu papel, quando verificou que alguns clubes estavam com necessidade para a contratação de alguns jogadores no momento atual, e não tinham a disponibilidade financeira para tal, resolveu então partir para a prorrogação do contrato de televisionamento até 2017.
Na verdade trata-se de afundar quem estava boiando em uma pequena tábua, e assim incrementar mais as dificuldades de nossos clubes, que realizam investimentos contando com o ovo no pescoço da galinha.
O bom senso demonstra que o momento não é para renovação antecipada, desde que o panorama não se apresenta como factÃvel para uma decisão como essa, que certamente irá ser sentida mais á frente, principalmente no ano de 2015, que será o do inÃcio de um novo contrato.
Em um paÃs cuja inflação embora controlada está sempre acima de 5% ao ano, um contrato longo financeiramente não é viável, mesmo com cláusulas de reajuste, no seu final estará totalmente desvalorizado.
Tal medida soa como uma antecipação de receitas, que na vida dos clubes cobre as necessidades do momento, mas deixa aberta uma grande lacuna no futuro.
Os dirigentes do futebol brasileiro precisam atentar que existe uma concorrência, e que incrementa o poder de barganha e viabiliza as condições de bons e reais contratos.
Tem que haver o discernimento de que o que será bom de imediato poderá ser prejudicial no amanhã.
Para a emissora que está negociando trata-se de um filé, pois livra-se da concorrência, vende os produtos por preços que vão até dez vezes a mais do que gastam na aquisição e, no final, terá certamente os seus cofres recheados, enquanto os clubes ficarão comendo um osso, que foi totalmente corroido pelo tempo.
As agremiações deveriam ter uma assessoria econômica e financeira para dar as devidas orientações sobre o assunto, principalmente por conta de sediarmos uma Copa do Mundo, e consequentemente a valorização do produto futebol será incrementada, mas com a prorrogação antecipada nada ganharão, ficando os dividendos apenas com a contratante.
Se o paÃs conquistar a Copa do Mundo, o valor do futebol nacional dobrararia, mas os lucros não irão para os clubes e sim para a emissora detentora dos direitos de transmissão que serão prorrogados até 2017.
Uma concorrência no tempo certo seria salutar, e traria certamente um bom ganho para todas as agremiações, e a própria Globo poderia ser a vencedora, oferecendo valores reais e de acordo com o momento do mercado do futebol.
Infelizmente vivemos no ciclo vicioso de antecipação de receitas, e os nossos cartolas com uma visão micro, muitas vezes se entusiasmam com o faturamento, sem visualizar os problemas que virão pela frente, inclusive para os futuros dirigentes.
Prorrogar o atual contrato é pura insensatez.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








