JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Quando
refletimos sobre o Sport e o que acontece em sua atual gestão, sobretudo com
relação ao seu futebol, com tantos descaminhos, nos lembramos de uma postagem
que fizemos há bastante tempo e que pode servir para retratar o que acontece na
Ilha do Retiro.
Quando assistimos ao protesto de torcedores de verdade, e não os profissionais, na última terça-feira, na sede do clube, e as declarações do seu presidente, Gustavo Dubeux, verificamos que enfim alguém conseguiu observar que o Rei está nu.
O conto do escritor dinamarquês Hans Christian Anderson, retrata a submissão de um povo e o excesso de vaidade do seu rei.
O imperador era vaidoso e gostava de roupas novas e de luxo, passando grande parte do seu tempo experimentando-as, deixando de lado as coisas do seu reino.
Conhecendo a vaidade real, surgiram dois tecelões espertos, afirmando que possuiam uma roupa que não apenas tinha cor deslumbrante, mas também era dotada de uma qualidade única, desde que, apenas as pessoas especiais poderiam vê-la e apreciá-la propriamente, e os destituidos de inteligência iriam dizer que a roupa era invisÃvel e que esta não existia.
Começaram a trabalhar, e os seus ministros visitavam a oficina, verificavam intimamente que não viam nada, mas com o temor de perderem os cargos e as benesses, diante dos tecelões faziam os maiores elogios a nova roupa, e que iriam comunicar ao imperador.
Criou-se uma invenção verbal de coisas inexistentes, sobretudo impossÃveis, e para não serem desprestigiados ou considerados imbecis, alimentando a vaidade do imperador, começaram a exclamar frases sobre a beleza dos trajes, chegando a transportá-lo para a casa real em comitiva.
O imperador, diante do espelho, dotado de poder e uma cegueira proposital, admirava-se com a roupa, que simplesmente não via.
Veio a apresentação oficial para a corte e todo o seu séquito estava feliz pelo brilho dos seus trajes, quando um menino desavisado grita ¨o rei está nu, ele está sem roupa¨. Era a visão de uma criança desnudando a realidade. E, o povo começou a abrir os olhos, e então deixou de concordar com o seu imperador.
A multidão gritava, e o rei, mesmo acuado, resolveu levar o desfile até o fim, e voltou caminhando para o palácio, junto com os cavaleiros e os aios, que continuavam a fingir a existência de tão belas vestes.
Os torcedores fantasiados de palhaços na tarde da terça-feira na Ilha do Retiro representavam o garoto desse conto.
Moral da história: a vaidade e a subserviência cegam.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









