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Rede de proteção
postado em 03 de junho de 2012


MARIANA LAJOLO - FOLHA DE SÃO PAULO


Kayla Harrison é a esperança da maior potência esportiva do mundo de conquistar um feito inédito: uma medalha de ouro olímpica no judô.

Ostenta no currículo um título mundial, o primeiro de uma judoca dos Estados Unidos nos últimos 26 anos.

Feito suficiente para tornar a jovem de 21 anos uma das mais requisitadas da equipe que vai à próxima Olimpíada. Mas, às vésperas de sua estreia nos Jogos de Londres, o sucesso de Kayla nos tatames não é mais o principal foco de atenção.

Desde que decidiu quebrar um doloroso silêncio de anos, a atleta se tornou símbolo de uma luta contra um mal cada vez mais exposto nos EUA: o abuso sexual no esporte.

"É algo que aconteceu comigo. Tenho de lidar com isso. Resolvi falar para tentar ajudar outras pessoas.

Quero poder mudar a vida delas", declarou Kayla.

Casos como o da judoca têm chacoalhado o país e gerado iniciativas de prevenção e combate aos abusos.

Kayla foi molestada sexualmente por seu ex-técnico, com quem treinava desde os oito anos. Começou quando ela tinha 13 e, apenas aos 17, a judoca assistiu ao agressor confessar e ser condenado a dez anos de prisão.

A atleta pouco falou sobre seu passado até novembro, quando explodiu o caso da Universidade Penn State.

O auxiliar técnico do time de futebol americano havia abusado de pelo menos oito garotos durante os 15 anos em que trabalhou na instituição. Era a terceira universidade americana envolvida em um escândalo sobre o tema.

Kayla decidiu, então, ajudar a dar voz às vítimas.

Em 2010, a federação de natação dos EUA também viu atletas exporem seus dramas e foi processada sob suspeita de acobertar casos de abuso. Terminou obrigada a revisar seu código de conduta e banir pelo menos 46 técnicos.

Neste ano, o Comitê Olímpico dos EUA lançou o Safe Sport (www.safesport.org), um programa de orientação e prevenção para federações, times, atletas e treinadores.

Outras federações esportivas, ONGs e entidades governamentais também têm feito ações sobre o tema.

Uma movimentação que não se percebe no Brasil.

"Esse assunto parece ainda ser tabu aqui. Explode um caso aqui, outro ali. Mas a tendência é varrer para baixo do tapete. Porque parece que, se tirar o tapete, sairá muita sujeira", diz o psicólogo João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte.

O Comitê Olímpico Brasileiro não tem nenhum tipo de programa ou ação relativos ao abuso de jovens atletas.

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que viu uma nadadora revelar ter sido molestada, também não.

Em 2008, Joanna Maranhão declarou ter sido vítima de um ex-treinador. A atleta, entretanto, não pôde processar seu agressor porque o caso já havia prescrito.

Neste ano, foi aprovada lei que aumenta o tempo de prescrição desses crimes.

Joanna está sendo processada por dano moral e calúnia pelo ex-técnico. As sentenças ainda não saíram.

"Constatamos que precisamos tomar medidas, mas elas não são tomadas. Os clubes não se abrem para os movimentos sociais, e o governo precisa ser mais proativo", diz Iolete Ribeiro da Silva, secretária-adjunta do Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

MAIS DENÚNCIAS

No Brasil, de janeiro a abril, chegaram à Secretaria Nacional dos Direitos Humanos 7.651 denúncias de abuso sexual de menores. Bahia (12,54%), São Paulo (11,11%) e Rio (9,78%) lideram a lista entre os Estados. Foram recebidas ligações de 1.585 municípios para o Disque 100.

O governo não tem dados específicos sobre o esporte.

Controle e prevenção ficam a cargo dos clubes. No futebol, as ações ainda acontecem de forma isolada.

O Estatuto Nacional da Criança e do Adolescente pede que os times tenham psicólogos nas equipes de base.

"Mas não tem funcionado bem. Infelizmente, muitos se preocupam só em não tomar uma multa, mas não têm projeto e só contratam o profissional para bater o ponto", declara Cozac.

No Minas Tênis, que tem equipes de diversas modalidades, a conduta dos técnicos passou a ser ainda mais discutida nesta temporada.

O clube contratou Scott Volkers para a natação. Treinador da Austrália em três Olimpíadas (1992, 1996 e 2000), ele já foi investigado por abuso sexual. Nada foi provado contra o técnico.

Surgiram manifestações nas redes sociais de pessoas descontentes com a escolha do australiano para o cargo.

O clube tem códigos de conduta para atletas e funcionários, além de psicológicos acompanhando as equipes.

"Fizemos ampla pesquisa e entrevistas [sobre Volkers]. O clube tem uma obrigação maior, porque lida com outras pessoas. Mas ninguém pode ser punido por algo não concretizado", diz Carlos Antônio da Rocha Azevedo, diretor-adjunto de natação.

"O clube fez uma reunião com os pais. Não foi unânime, mas o clube explicou tudo, e eles nos deram um voto de confiança. Os atletas têm confiança nele", diz.

Malia Arrington, do Safe Sport, diz que as denúncias cresceram desde que projetos como o que ela comanda foram lançados nos EUA.

"As pessoas sabem a quem recorrer. [O aumento] é um bom indicador de que seu programa está funcionando."

Kayla, a judoca americana, sofreu até encontrar apoio. Antes de decidir lutar contra seu agressor, pensou em suicídio e tentou fugir de casa.

"Não tem sido fácil, mas eu não mudaria nada. Sou uma mulher mais forte agora. Percebi que eu somente serei vítima se me deixar ser vítima", declarou a atleta.

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Artigos
Transparência ou protocolo secreto - Parte I
postado em 03 de junho de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, TRANSPARÊNCIA OU PROTOCOLO SECRETO? PARTE I


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO -blogdejj.esporteblog.com.br


Tínhamos solicitado a um antigo companheiro do basquetebol, residente em Porto Alegre, algumas informações a respeito da arena do Grêmio, cuja inauguração está prevista para o final desse ano.

Recebemos, no dia de ontem, todos os detalhes sobre o projeto e que, segundo ele, foi debatido amplamente entre os sócios do clube, e todos os dados expostos no seu site oficial.

Uma situação totalmente diferente do que aconteceu com o Sport Club do Recife, onde o debate foi realizado em torno de um projeto que não existia, e cujos detalhes continuam guardados a sete chaves.

Um bem transparente, no caso do Grêmio, outro bem secreto, no caso do rubro-negro pernambucano. Como o material é vasto, escolhemos alguns pontos importantes para a discussão do assunto, o que vamos fazer em duas postagens. 

O ponto de partida que levou ao clube gaúcho decidir pela construção de um novo estádio, estava relacionado às propostas recebidas por esse no ano de 2006, de várias empresas que gostariam de ocupar espaços comerciais no Estádio Olímpico.

A partir disso, foram iniciados estudos para e elaboração de um Plano Diretor Patrimonial. Como era ano da Copa do Mundo, foram visitadas as novas arenas da Alemanha, e chegaram Ã  conclusão que seria mais viável para o clube a construção de uma arena multiuso do que a reforma do seu antigo Estádio.

Para ratificar essa tese, o Grêmio contratou a Amsterdam Arena Advisory, da Holanda, um estudo de pré-viabilidade para a construção de um novo estádio. A análise compreendeu, também, o estudo para a reforma do Olímpico, que foi considerada desaconselhável. Esse estudo ainda apoiou ainda a definição da modelagem do negócio, bem como as especificações técnicas da arena.

Que os nossos amigos visitantes e, em especial os rubro-negros, façam uma análise comparativa entre as ações dos gaúchos com a dos pernambucanos, a partir inclusive da contratação da empresa para elaborar o estudo de viabilidade. Uma séria (Amsterdam), e uma outra com problemas bem graves (Plurisports). Dois caminhos bem diferentes.

Depois da definição pela construção de uma nova arena, foram definidos os seus conceitos e, por conta disso, o projeto arquitetônico foi elaborado por arquitetos europeus familiarizados com o que de mais moderno existia no mundo, e que tivesse um padrão de segurança e conforto acima da média, atendendo inclusive todos os itens dos cadernos de encargos da Fifa.

Em 2007, o clube oficializou uma carta-convite para empresas interessadas em investir na parceria de construção do novo estádio. As diretrizes do básico do projeto foram as indicadas pelo estudo da Amsterdam. Apresentaram-se diversos investidores interessados e, em março de 2008, ocorreu a seleção final indicando como vencedora a proposta da construtora OAS Ltda, os respectivos projetos e plano de negócios. 

A proposta vencedora contemplou a construção de estádio novo, na modalidade Arena, no Bairro de Humaitá. Tudo proposto pela administração do clube e aprovado pelo Conselho Deliberativo. Então houve a concorrência e as diretrizes básicas foram fixadas pelo Gremio, com base no laudo da AAA.

Certamente os nossos visitantes estão observando que tudo foi feito com total transparência e em longo prazo. Edital de convocação para empresas apresentarem as suas propostas, dentro dos principios das licitações.

No Sport nada disso aconteceu, e o plano da Pluri era uma cópia do Palmeiras, e não existia nenhum investidor, desde que não houve convite para tal.

No dia de amanhã continuaremos mostrando os procedimentos do Grêmio, para que todos possam fazer com isenção um bom julgamento.

Esse certamente será um debate da transparência contra o protocolo secreto.

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Acontece
Fatos históricos
postado em 02 de junho de 2012

Claudemir Gomes

Uma das coisas que mais curto na vida é ser testemunha da história. Na década de 80 acompanhei a grande crise no futebol brasileiro que culminou com a criação do Clube dos 13 porque a CBF se mostrava incapaz de gerenciar o Campeonato Brasileiro. E antes de as coisas se encaixarem, houve aquela confusão em relação ao título de 1987, celeuma que até hoje gera discussão.

No ano 2000, nova confusão com ameaças de viradas de mesa, fato que levou a CBF a criar a Copa João Havelange, competição que seguia os moldes do Brasileiro, mas impedia acesso e descenso, fato que beneficiou o Santa Cruz, uma vez que o livrou da queda. Agora, um novo imbróglio judicial e o futebol brasileiro se ver ameaçado de uma reedição da Copa JH, que desta feita seria trágico para o clube do Arruda, pois estaria impossibilitado de disputar a Série B em 2013, pior ainda, inviabilizaria o projeto de o Santinha chegar a Série A em 2014, ano do seu centenário.

O Tricolor vive um momento auspicioso, e dentre todos os clubes envolvidos neste lamentável episódio, ele seria o mais prejudicado. O departamento jurídico da CBF não conseguiu êxito em algumas investidas. O presidente da FPF, Evandro Carvalho, que grande conhecimento da matéria, pois durante 26 anos esteve a frente do Jurídico da Federação Pernambucana, foi reforçar a força tarefa da entidade nacional que busca uma solução que venha evitar um novo caos. Não está fácil. 


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Futebol Pernambucano
O novo filão
postado em 01 de junho de 2012

Claudemir Gomes

O futebol é considerado hoje um dos maiores negócios do mundo. A adequação a nova ordem promove mudanças radicais no cenário com o qual o esporte mais popular do país convivia há décadas. Os grandes investimentos feitos no momento têm como alvo o sócio-torcedor.

Os clubes do Sul partiram na frente, e no início da semana a Ambev fechou parceria com seis clubes paulistas. Dentre outros objetivos da proposta, a diminuição da dependência de ingressos para jogos, e o aumento de cadastro dos sócios. A estimativa apresentada mostra que, cada clube bandeirante pode chegar a ter um milhão de pessoas como sócios-torcedores. Como o desembolso de cada filiado será de R$ 30, o clube passará a ter uma receita mensal de R$ 30 milhões.

O Internacional de Porto Alegre é um modelo de experiência exitosa neste sentido. O clube colorado estima uma receita de R$ 25 milhões mensais com o programa sócio-torcedor, e tem usado como chamariz o abatimento nos ingressos, estratégia questionada por alguns por entender que a mesma cria um obstáculo para os torcedores que não são sócios assistirem aos jogos do seu clube no estádio. Os projetos têm o mesmo fim: dar uma independência financeira aos clubes através de receitas geradas com seus associados.

Os três grandes clubes pernambucanos têm duas alternativas para entrar em sintonia com a nova ordem: atuarem individualmente, como fez o Internacional, ou partirem para um projeto conjunto como os clubes paulistas. A força e a fidelidade das torcidas pernambucanas são inquestionáveis. O que falta ao nosso futebol é um projeto inteligente e sustentável, capaz de seduzir os torcedores. As campanhas de sócios realizadas nos últimos anos foram marcadas por um amadorismo imperdoável.   

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Acontece
Torcedores aceitam jogadores gays
postado em 01 de junho de 2012

LEONARDO LOURENÇO - FOLHA DE SÃO PAULO



O senso comum de que o futebol é um ambientes hostil para homossexuais parece não ser mais verdadeiro.

Uma pesquisa publicada em maio no "British Journal of Sociology" constatou que 93% dos torcedores aceitariam um jogador assumidamente gay em seus times.

O estudo foi conduzido por dois professores da Universidade de Staffordshire e baseado em um questionário respondido de forma anônima por 3.500 pessoas na internet.

O resultado, apontado como surpreendente pelos autores, "sugere a existência de uma cultura mais liberal e permissiva" entre os fãs.

Apesar de registrar a participação de voluntários de 35 países, a base era de torcedores de times britânicos: 85% dos que responderam.

"Isso demonstra um avanço da sociedade britânica", diz a professora Heloisa Helena Baldy dos Reis, especializada em sociologia do esporte da Unicamp.

Ela, porém, não discorre com o mesmo otimismo sobre a situação no Brasil.

"Estamos distante disso", afirma. "A homossexualidade é motivo de ofensa no futebol. Os cânticos tentam ofender rivais pela sexualidade", lembra a professora.

"O futebol é o último bastião do macho", define.

Segundo Heloisa, o ambiente atual não aceita esse tipo de revelação. "É um reduto de masculinidade, que não pode ser ameaçado pela presença feminina ou pela de homossexuais", completa.

A professora, entretanto, crê numa mudança nessa mentalidade, mesmo que seja um processo demorado.

"O Brasil demonstra um atraso, mas o debate da sexualidade já foi incorporado pelas escolas, que têm que lidar com essa diversidade."

MERCADO

A mudança de comportamento com relação à presença de homossexuais no futebol não fez com que jogadores assumissem ser gays.

A resposta, segundo a pesquisa da universidade inglesa, está no conservadorismo dos clubes de futebol e dos agentes, mais preocupados com as consequências financeiras deste tipo de ato.

"Mesmo sob a luz desta descoberta, apenas um jogado na história do futebol britânico assumiu ser homossexual [Justin Fashanu, no começo da década 1990, que se suicidou em 1998]", diz Jamie Cleland, um dos autores.

"Torcedores culpam os empresários com medo de perder comissões. É o mercado que controla o futebol que proíbe os gays de se assumirem", conclui Cleland.

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