José Joaquim Pinto de Azevedo - blogdejj.esporteblog.com.br
Há muito
que estamos escrevendo sobre as posturas dos novos cartolas brasileiros, que aos
poucos vão perdendo o comando para os seus profissionais.
Casos e mais casos são vistos no Brasil afora, onde treinadores e atletas estão sobrepujando as bandeiras de seus clubes. Eles mandam e os dirigentes obedecem.
Na última quinta-feira tivemos a oportunidade de assistirmos no pós-jogo Palneiras e Paraná a uma situação inusitada, ou melhor, totalmente bizarra.
Quando pensávamos que a goleada de 4 a 0 que o alvi-verde de São Paulo aplicou no time paranaense pela Copa do Brasil seria divulgada nas primeiras páginas dos veÃculos de mÃdia, o treinador Luiz Felipe Scolari perdeu a paciência e avacalhou a diretoria do seu clube e assim ganhou as manchetes.
Por conta das contratações solicitadas e não atendidas, o técnico certamente cansado das pressões internas e das cobranças dos torcedores, quando o acusam pela atual situação que o clube atravessa, exigiu em uma linguagem dura e fora dos padrões, que os diretores dessem as caras e falassem a verdade àqueles que vêm criticando o time no seu dia a dia.
¨Se não tem dinheiro, precisa pescar alguma coisa. Agora depois não venham passar para a torcida que eu passei os nomes que estão chegando. Precisam assumir essa m....¨, esbravejou Scolari.
Continuando com a sua revolta, o treinador declarou ainda:¨O que quero passar ao meu torcedor é que se não dá de um jeito, vamos para outro. Ou então vamos aceitar a crÃtica que não contratamos o Pelé, o Robinho, o Pato ou o Ganso. à assumir a realidade se não tem dinheiro para um apartamento, vamos ver uma casinha¨.
O Palmeiras é sem dúvida uma grande bandeira, mas a polÃtica interna vem destruÃndo o clube. Tem mais alas do que escolas de samba, que se digladiam com uma voracidade leonina, sem tomarem o conhecimento da realidade, que é latente e representada pelo seu apequenamento. Há anos nada conquista, e as dificuldades aumentam no seu dia a dia.
Hoje temos uma diretoria passiva e leniente, que vive como equilibrista no arame para contemporizar com as cobranças dos passistas das diversas alas, e quem vem sofrendo certamente é o clube que está perdendo o respeito perante o segmento esportivo.
Em qualquer outro lugar civilizado e com postura, o treinador estaria demitido por justa causa, por conta das declarações, mas certamente nada acontecerá e tudo continuará como dantes.
Que o digam o palmeirense Aldo Rebelo e o belga Jérôme Valcke.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








