José Joaquim Pinto de Azevedo - blogdejj.esporteblog.com.br
Um dos nossos colaboradores nos telefonou
preocupado com que ouviu em um programa esportivo transmitido por uma de
nossas rádios. O que motivou a preocupação foi o tom dos telefonemas dos
ouvintes/torcedores e as declarações agressivas, que nada contribuem para o
contexto do futebol local.
Conversas estaparfúdias, principalmente levantando suspeitas sobre o comprometimento da arbitragem do clássico Sport e Santa Cruz ou, então, tratando com agressividade os seus adversários.
Na verdade, os tempos passaram e o comportamento do torcedor continua o mesmo. Não se preocupa com o que acontece no entorno do futebol, em especial os institucionais, como modelo de gestão dos clubes, a falta de transparência, das suas finanças, da indicisplina dos jogadores e a má qualidade dos estádios.
Todo esse processo é relegado para dar lugar a insanidade de acusações levianas, totalmente sem nenhum sentido construtivo e que servem para atiçar a violência.
Na verdade, o Brasil sofre um problema educacional grave e isso reflete no consumidor do futebol, já que a paixão supera a razão, e esse sem um devido preparo não tem o discernimento de entender que o esporte faz parte da indústria de entretenimento e lazer, e deve ser tratado como tal.
Por outro lado, os dirigentes ajudam, e se preocupam em trocar farpas ou mesmo desaforos, do que promover o espetáculo futebolÃstico que irá acontecer.
Lemos no dia de ontem que a diretoria do Sport entrou com uma representação no Ministério Público de Pernambuco contra o presidente do Santa Cruz, por esse ter feito declarações fora do contexto, quando convocava os seus torcedores para uma guerra das semi-finais.
Uma maneira totalmente equivocada de se expressar e que induz a violência, mas também não haveria a necessidade de se recorrer ao MP estadual, quando a própria Justiça Esportiva poderia agir e enquadrar o dirigente tricolor.
Enquanto isso o jogo que é evento mais importante fica de lado, para dar lugar a pequenas questiúnculas entre os clubes, assim como a divulgação de declarações que nada somam ao processo esportivo.
A nossa mÃdia deveria ter um papel importante na condução desse assunto, mas não o faz. Há alguns anos assistimos na televisão a um programa com Alberto Dines e que contou com a presença da economista Elena Landau, que tem um boa visão sobre os esportes, e essa respondendo uma pergunta do entrevistador sobre o papel da imprensa no futebol, deu uma resposta esclarecedora e bem inteligente.
Segundo a economista, ¨O torcedor é um peão que é movido e a mÃdia joga com esse peão. Ela deixa o rei e rainha fora do jogo e dá aquela noticiazinha do dia a dia do futebol. A cobertura da imprensa, contribui para a perpetuação do quadro atual¨.
Na verdade, a mÃdia esportiva se preocupa com o varejo e deixa de lado o atacado, que são os problemas institucionais do futebol. Por exemplo, publicam que os salários estão atrasados, mas não explicam a falta de gestão que levou a tal inadimplência.
Temos que sair desse ciclo vicioso, e ingressar numa nova era, em que o esporte faz parte da indústria que mais cresce no mundo, e que precisa de bons interlocutores entre os cartolas e, fundamentalmente, na mÃdia que forma a opinião dos torcedores.
O mundo mudou e o futebol continua no passado, e lembrando que amanhã teremos um dérbi do futebol local, envolvendo Sport e Santa Cruz, e como sempre ganhará o melhor.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








