José Joaquim Pinto de Azevedo - blogdejj.esporteblog.com.br
Um excelente trabalho de pesquisa foi elaborado
pela Espn, e que nos forneceu bons subsÃdios para a comprovação do que acontece
com a atual distribuição de renda do futebol brasileiro.
Trata-se, na realidade, um dos torneios mais equilibrados do mundo, onde vários clubes disputam o tÃtulo, bem diferente ao europeu, tornando-se na era dos pontos corridos uma Copa Rio/São Paulo.
Nessa temporada teremos em campo uma nova distribuição dos recursos dos direitos de transmissão. As diferenças são tão gritantes, que ajudam a abrir mais o abismo que separam os clubes no Brasil.
Os dois times de maiores torcidas no paÃs são aqueles que terão a maior participação. Corinthians e Flamengo embolsarão R$ 90 milhões por temporada. Na sequência da lista, os também paulistas São Paulo, Palmeiras e Santos se juntam ao carioca Vasco da Gama e levam para seus cofres R$ 75 milhões cada.
Os times de outros estados aparecem em um terceiro patamar. Grêmio, Internacional, Cruzeiro e Atlético-MG, se juntam a dois outros cariocas, Botafogo e Fluminense, e receberão R$ 55 milhões cada um.
Na terceira divisão, encontramos o Coritiba, Bahia, Portuguesa e Sport, que receberão R$ 30 milhões, enquanto Nautico, Ponte Preta, Figueirense e Atlético-GO, irão receber apenas R$ 16 milhões, cinco vezes a menos do que Corinthians e Flamengo. à a quarta divisão.
à uma distorção que assusta, mesmo para os clubes considerados do terceiro patamar, com valores que poderiam ser razoáveis, mas se distanciam muito daqueles pagos aos demais dos degraus mais altos.
Como as equipes do quarto patamar poderão competir com tanta diferenciação? Claro que com mais recursos, as contratações serão de melhor qualidade, e com isso uma maior competitividade, dando origem ao desequilÃbrio, que irá certamente prevalecer.
O domÃnio de paulistas e cariocas nessa competição é destacado. Somente no ano de 2003, quando do primeiro ano do sistema atual, o Cruzeiro conquistou o tÃtulo. Daà em diante foram seis tÃtulos paulistas e dois cariocas, e com o agravante que em 2011, os cinco dos seis primeiros colocados pertenciam a esse eixo.
Por outro lado, verificamos que desde 2001, quando o Atlético do Paraná conquistou o tÃtulo, nenhuma equipe fora do Sudeste conseguiu tal galardão.
Vamos iniciar uma competição onde clubes endinheirados, se souberem aplicar os recursos formarão equipes bem fortes, e os demais irão brigar por uma boa classificação e contra o rebaixamento, já que o Rio/ São Paulo será certamente o definidor da competição.
São coisas de um futebol que deseja se espanholizar.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










