JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Começaram os campeonatos das duas principais
divisões do futebol brasileiro, as Séries A e B, ambas com o sistema de pontos
corridos.
Por conta do que foi registrado no ano de 2003, quando o lÃder da primeira fase da competição (São Paulo) foi derrotado no sistema de mata-mata pelo oitavo (Santos), o sistema foi modificado e ingressamos na era dos pontos corridos na divisão maior.
Existe uma grande aceitação do lado dos torcedores no tocante a tal fórmula, por privilegiar o melhor, que leva a conquista do tÃtulo, assim como a disputa pela vaga na Libertadores e até no rebaixamento.
Apesar disso, se analisarmos por um outro prisma, o modelo eliminou as possibilidades de um time como menor investimento e organização de ter qualquer possibilidade de chegar a tal posição, principalmente pela má distribuição da renda.
Trata-se de uma competição que contempla uma verdadeira luta de classes, onde ricos e pobres se defrontram, e sempre a vitória caberá aos primeiros que estão com o dinheiro, que sem dúvidas é a melhor das armas. Os números são bem marcantes.
Gostamos do sistema, mas ao mesmo tempo não achamos justo que uma equipe dispute um torneio quando os seus concorrentes faturam 03 ou quatro vezes a mais nas cotas dos direitos de transmissão.
Por conta disso, esses proletários do futebol são meros participantes lutando contra o rebaixamento. Na era dos pontos corridos, nenhum clube de menor porte conseguiu chegar ao tÃtulo, e mais grave ainda, somente em 2003 uma equipe conseguiu conquistá-lo (Cruzeiro), e a partir daà esse ficou no eixo Rio/São Paulo, que detém mais da metade do PIB nacional.
Em 2003, eram 10 estados da Federação em disputa do evento, e estabilizou-se em nove, sem nenhum avanço, e esse número permanece até hoje. Antes dos pontos corridos, 05 clubes menores ainda conseguiram conquistar o troféu de campeão: Guarani (1978), Coritiba (1986), Sport (1987), Bahia (1988) e Atlético PR (2001).
Na verdade, 18 membros da federação nacional ficam de fora, e muitos por intermináveis anos.
A região Norte se despediu do torneio em 2006, com um clube, e daà em diante permaneceu em queda, e hoje com uma decadência acentuada.
Um dado bem interessante é que dos vinte quatro clubes que já participaram da era dos pontos corridos, 14 continuam na presente temporada, e alguns desses que desapareceram, temos o Remo, que acabou de comprar o seu ingresso na Série D, o Juventude que está também nessa quarta divisão, e o Payssandu, que disputará a terceira divisão nacional.
Infelizmente essa competição tornou-se totalmente previsÃvel, pois os menores jamais chegarão a balançar os maiores, bastando analisarmos os valores de cada um dos vinte clubes que irão disputá-la, que no total somam 2,577 bilhão, sendo que os 12 primeiros estão no eixo Rio/São Paulo/ Minas/Rio Grande do Sul, com os de São Paulo liderando com 38% do total, vindo a seguir os 4 cariocas (25%), 02 gaúchos (14%), que somados representam 77% do valor de mercado, conforme a pesquisa da Pluri Consultoria.
Para os demais, as batatas, apenas 23%, sendo que os nossos estão na 16ª colocação (Sport), e na última (Náutico).
Como poderemos competir sem uma engenharia financeira mais equitativa, que crie as possibilidades de que um clube da classe mais baixa possa lutar com dignidade, e quem sabe, com uma boa estrutura, chegar ao tÃtulo de campeão.
Faltou pão na França e veio a sua Revolução, e no futebol brasileiro certamente estão fazendo falta alguns revolucionários que possam transformar essa triste realidade.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








