José Joaquim Pinto de Azevedo - blogdejj.esporteblog.com.br
O Santa Cruz Futebol Clube apresentou o seu Movimento Financeiro de 2011 ao seu Conselho Deliberativo, e através de um amigo tricolor conseguimos uma cópia desse documento.
Em nossa análise detectamos alguns pontos para analisarmos com os nossos visitantes e que demonstram que apesar de ter havido melhoras, a situação do clube continua preocupante.
Um ponto positivo foi que a sua Receita Bruta cresceu quase quatro vezes mais do que a do exercÃcio de 2010. Saltou de R$ 5.549.808 para R$ 20.506.056 (somadas as esportivas e sociais). Na realidade o tricolor, embora disputando a Série D do Brasileiro, sem verbas da televisão, gerou uma Receita maior que a do Náutico, que disputou a Série B e recebeu cotas de direito de transmissão.
Com as atividades do futebol, o clube teve um resultado bruto de R$ 17.185.073 e um lÃquido de R$ 2.457.483. Nesse item, os mais representativos foram as receitas de bilheterias, patrocÃnios e publicidades, que somaram R$ 2.948.716, seguido do item negociação de atleta, no valor de R$ 2.000.000.
Nas atividades sociais, no total bruto de R$ 3.317.983, o maior percentual veio de pagamentos de associados, no valor de R$ 2.781.983. O lÃquido representou R$ 3.296.274. O Balanço apresentou um Superavit de R$ 1.433.869.
Mas nem tudo são flores para o Santa Cruz. Quando verificamos o seu Passivo, realmente preocupa, visto que o alto grau de obrigações é muito grande para a capacidade de sua Receita.
O Passivo Circulante somou R$ 41.100.265. As Obrigações tributárias representaram R$ 13.907.064, Empréstimos e Financiamentos, R$ 10.087.717, e Obrigações Trabalhistas, R$ 9.780.712 e Outras Obrigações, R$ 6.309.115. Esses são os itens de maior peso, e com a gravidade de serem a curto prazo.
O Passivo Não Circulante somou R$ 28.675.069, com dois itens de pesos equivalentes, os das Obrigações Fiscais, com R$ 14.104.407 e Trabalhistas, com R$ 14.057.836.
São compromissos que ficam muito além da capacidade de pagamento do clube, e isso certamente inviabiliza o seu crescimento.
Para que se tenha uma ideia, para que pudesse ser fechado o Balanço com o equilÃbrio entre o Ativo e Passivo, a contabilidade usou o mecanismo do Ativo IntangÃvel, que é aquele que estima valores em fatores não fÃsicos, como marca, fundo de comércio, entre outros. Esse ativo representou R$ 54.287.059.
O Balanço ainda apresentou um Patrimônio lÃquido negativo de R$ 1.810.499.
Uma análise profunda do Balanço demonstra que o clube, embora crescendo as suas Receitas, não conseguiu reduzir o seu Pasivo oneroso, e isso certamente tolhe quaisquer perspectivas de crescimento, muito embora tenha sido realizada uma polÃtica de ¨pés no chão¨, principalmente no setor de futebol, que ajudou a sustentá-lo durante o exercÃcio.
Com tais números, verificamos o quanto é difÃcil administrar um clube com pouca receita e grandes dÃvidas, sobretudo, pelas cobranças que são formuladas.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








