Histórico
Futebol Pernambucano
O batizado da Arena Pernambuco
postado em 21 de setembro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O BATIZADO DA ARENA PERNAMBUCO


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Um dia teria que acontecer, e esse chegou no último sábado, quando finalmente a Arena Pernambuco recebeu a sua primeira guerra nas arquibancadas entre torcidas organizadas.

O fato foi concretizado no jogo entre o Santa Cruz x Ceará pela Série B Nacional, quando membros da Torcida Inferno Coral enfrentaram os torcedores do Ceará nas arquibancadas e protagonizaram para todo o Brasil cenas violentas de guerra, com uma duração de 10 minutos e com dificuldades de contenção de parte da Polícia.

Pernambuco é um dos poucos estados do Brasil que utiliza policiamento fardado dentro da sua Arena, os demais que foram construídos para a Copa do Mundo, ou como os do Grêmio e Palmeiras, a segurança é feita por particulares, e até hoje com mais de um ano de funcionamento nenhum incidente tinha acontecido, a não ser quebra de assentos, que tem sido bem reduzida nos últimos jogos.

Quando vimos as trágicas cenas da luta na Arena Pernambuco, com a Polícia tendo problemas para resolver, pensamos de imediato sobre o que iria acontecer, se o modelo utilizado fosse igual aos das demais. Teríamos mortes, sem dúvidas.

As arenas modelo FIFA são projetadas para torcedores civilizados, fato esse que não temos ainda em boa parte de nosso país, onde os terroristas urbanos continuam atuando sem que nenhuma punição seja dada, e afugentando as pessoas de bem dos estádios.

O equipamento não tem divisórias de separação, todos ficam próximos independente ou não do clube de preferência, e isso vinha funcionando muito bem em nosso estado, com os jogos do Sport e Náutico.

A diretoria do Santa Cruz protege muito a sua organizada, e os seus membros são os donos do pedaço, e a atitude do último sábado irá tirar muitos mandos de campo do clube, como punição pelo que fizeram os seus torcedores, e que serão estendidos ao Ceará.

Não existe solução para o futebol de nosso estado. Há pouco esses mesmos organizados tornaram a Avenida Rosa e Silva em um palco de guerra, cujas imagens correram pelo Brasil e por várias partes do mundo.

Quais as providências tomadas? A ouvida de uma meia dúzia, um prêmio pirotécnico para quem denunciar os infratores, e os mesmos lá estavam no sábado aprontando mais um ato de violência.

Enquanto não forem fechadas essas sedes, enquanto não cadastrarem torcedores, nada irá ser modificado, e a violência nos estádios continuará a prosperar, sob o ollhar leniente de todos os envolvidos no sistema.

Não é por acaso que todas as pesquisas realizadas entre torcedores de futebol apontam um percentual acima de 80% dos que não frequentam os estádios por conta desses grupos de terroristas urbanos.

Enfim, tivemos o batismo de nossa Arena Pernambuco.

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Sport
O presidente descobriu um "novo" Falcão
postado em 20 de setembro de 2015



CLAUDEMIR GOMES


Não sei o que foi mais doloroso: assistir a bisonha apresentação do Sport diante do Vasco, quando o rubro-negro pernambucano foi abatido pelo lanterna da competição, posição que abandonou após a vitória por 2x1, ou se foi ouvir a coletiva de imprensa do presidente João Humberto Martolelli. Ao confirmar a contratação de Paulo Roberto Falcão para assumir o comando técnico do clube leonino, o dirigente, com sua invejável eloqüência, fez rasgados elogios ao treinador, numa prova inconteste da sua falta de conhecimento do futebol brasileiro.

Foram tantas as virtudes e qualidades ressaltadas pelo presidente do Sport, que cheguei a pensar que o mesmo estaria falando sobre o jogador Paulo Roberto Falcão, sem dúvidas um virtuoso que encantava a todos com seu toque refinado, nos gramados do Brasil e do exterior, tendo sido apelidado de "Rei de Roma", pelos italianos, quando defendeu a Roma.

Falcão chega acompanhado do seu escudeiro, o assistente técnico, Paulo Paixão. O mais impressionante é observar que, com todas as virtudes citadas pelo mandatário leonino, o novo treinador estava recluso na sua Porto Alegre, sem clube para dirigir após passagens pelo Bahia e pelo Internacional. No seu currículo constam apenas dois títulos estaduais.

Naturalmente que vamos aguardar os resultados do trabalho a ser implantado pelo novo treinador, um homem de fino trato, elegante e de bom gosto, mas que nunca conseguiu como técnico, o mesmo brilho que teve como jogador. Sua estréia foi na Seleção Brasileira, em 1991, na disputa de uma Copa América no Chile. O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, a época, Fred Oliveira, chefiava a delegação brasileira, e por pouco não enfartou diante das lambanças do treinador que substituiu Sebastião Lazaroni após o fracasso brasileiro na Copa da Itália.

No futebol não existe verdade absoluta. Isto é fato. Portanto, dentro do imprevisível é possível que Paulo Roberto Falcão aporte no Recife com idéias renovadoras, nunca postas em práticas nos clubes que ele dirigiu, e recoloque o Sport no caminho da vitória. E a grande torcida rubro-negra torce para que ele seja metade de tudo o que foi dito pelo ilusionista presidente.

Com relação a derrota para o Vasco - 2x1 - apenas uma observação: ver o seu time ser atropelado pelo lanterna é muito doloroso para o torcedor leonino.

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Sport
Surpreendente, mas sem ressentimentos
postado em 18 de setembro de 2015

CLAUDEMIR GOMES


Eduardo Baptista surpreendeu a gregos e troianos ao informar aos dirigentes do Sport que estava se transferindo para o Fluminense. Uma decisão irrevogável. A torcida ficou dividida. Os dirigentes, que bancaram sua permanência no cargo em momentos difíceis, se sentiram traídos. Coisas do futebol. Há uma semana a queda do treinador parecia iminente. A novidade fica por conta do episódio: a sedução e a transferência para um outro clube.

Eduardo passou um ano e sete meses no comando do time leonino. Começou como interino, foi efetivado, conquistou dois títulos - Copa do Nordeste e Pernambucano - e levou o Sport a descrever uma razoável campanha de manutenção no Brasileiro da Série A em 2014. Foram 127 jogos com 55 vitórias; 35 empates e 37 derrotas. Os números referendam mais um profissional lançado pelo Sport no mercado brasileiro. A boa campanha do clube na primeira fase do Brasileiro 2015, quando o Sport se manteve por um bom tempo no G4, liderando a competição em várias rodadas, deu visibilidade ao treinador que fora sondado por outros clubes.

O jejum de dez jogos sem vitórias fragilizou o projeto do Sport. A fraca atuação do time no empate - 1x1 - com o Joinville recolocou o treinador na corda bamba. Eduardo estava consciente de que não conseguiria extrair muita coisa do grupo. As rusgas com alguns jogadores afetaram a sua liderança. A tendência natural era de que a montanha russa permanecesse na parte de baixo, não mais subisse.

Vinte e dois técnicos foram demitidos na Série A, mas Eduardo Baptista, diferente dos demais, entregou o cargo, trocou de clube sem sentir o amargo do desemprego. Um prêmio pelo que construiu na sua pequena carreira como treinador. O momento era propício para o corte do cordão umbilical. Quem sabe fazer uma leitura de futebol isenta de paixão reconhece que sua saída foi boa para o profissional e para o clube. É chegada à hora da cria de desgarrar e encarar novos desafios. Vida que segue sem ressentimentos.

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Campeonato Brasileiro
Conta simples: 19 vitórias
postado em 18 de setembro de 2015


CLAUDEMIR GOMES

Com o fechamento da vigésima-sexta rodada do Brasileiro é possível, através dos números, fazer uma projeção de quem terá forças para seguir na briga por uma vaga no G4. Na Série A, o Sport, único representante do futebol nordestino, ocupa a décima posição com 37 pontos e 8 vitórias, estando a uma distância de 5 pontos do São Paulo, quarto colocado com 42 pontos e 12 vitórias, quatro a mais que o rubro-negro pernambucano. Para não se perder em cálculos e probabilidades o torcedor pode simplificar a regra que leva um clube ao sucesso: 19 vitórias e 8 empates, perfazendo um total de 65 pontos. Tais números lhes deixarão com 60% a 70% de chances de fechar o campeonato no G4, o que lhe assegurará uma vaga na Libertadores da América.

O Sport é o time que mais empatou - 13 vezes - até o momento, e tem o menor número de vitórias entre as equipes que sonham com o grupo de elite. Soma-se a esta deficiência o fato de, das doze partidas restantes do Leão, seis serão contra clubes que estão no G4 ou numa briga direta para chegar: Internacional, Atlético/MG, Palmeiras, São Paulo, Grêmio e Corinthians. Levando-se em conta a dificuldade que o time pernambucano tem de vencer na condição de visitante, é possível afirmar que foi criado um abismo intransponível neste caminho que leva à competição continental. Libertadores da América em 2016 só se for através da Copa Sul-Americana, onde o Sport tem como próximo adversário o argentino Huracán.

SONHO TRICOLOR

Os cálculos para assegurar o acesso à Série A são os mesmos: 19 vitórias e 8 empates, números que deixarão os clubes com 80% de chances. Diante do equilíbrio da disputa, onde hoje a distância do quarto colocado, o Bahia, para o sétimo colocado, o Santa Cruz, é de quatro pontos. O Tricolor Pernambucano tem 12 vitórias, o mesmo número do Tricolor Baiano. Há quem aposte num acesso com 63 ou 64 pontos. Como a fração é muito pequena, se mantém o número de vitórias, admitindo um menor número de empates: sete ou seis.

Sob o comando do técnico Marcelo Martelotte, o time Tricolor disputou dez partidas na condição de mandante, e contabilizou nove vitórias e uma derrota, tendo um aproveitamento de 90%. A torcida coral aposta neste retrospecto para ver o campeão pernambucano se aproximar das 19 vitórias. É natural que nem tudo saia como o planejado, uma vez que, futebol não é ciência exata. Sendo assim, a Cobra Coral terá que mostrar seu veneno em algumas partidas que atuará como visitante, tal como ocorreu no meio da semana, quando venceu o Boa Esporte por 3x1, em Varginha, Interior de Minas Gerais. Tal façanha o Santinha tentará quando sair para medir forças com o CRB, Atlético/GO e Mogi Mirim, adversários teoricamente mais fáceis de serem dobrados que Sampaio Correia, Botafogo e Bahia, que estão na briga pelo acesso. Sintetizando: o sonho tricolor somente será possível com 19 vitórias.

Com 36 pontos a disputar, 10 vitórias e a 8 pontos do quarto colocado, o Náutico teoricamente se mantém na briga pelo acesso, uma vez que os números lhes abrem tal possibilidade. Entretanto, na prática sabemos que é quase impossível o time alvirrubro contabilizar 9 vitórias nas 12 partidas que lhes restam.

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Artigos
Desafios para o futebol durante a crise
postado em 17 de setembro de 2015

Rodolfo Landim e Rodrigo Tostes - Jornal Folha de São Paulo


O futebol brasileiro vive um momento de profundas mudanças. Em meio à grave crise econômica que o país atravessa, os clubes precisarão praticar uma nova forma de gestão.

A aprovação do Profut (Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro) no Congresso, apesar de positiva para auxiliar a equação dos problemas com o pagamento dos impostos atrasados, fará com que os times tenham que adotar uma rigorosa disciplina no uso de seus recursos para a realização de custos operacionais e investimentos.

Dentro desse conceito de responsabilidade financeira e de aprimoramento de gestão, o Flamengo então sob nosso comando administrativo/financeiro, iniciou em 2013 um programa de ajustes que nos possibilitou equacionar dívidas antigas e pagar despesas correntes em dia.

Conseguimos um importante resgate de credibilidade e reputação para o clube mais popular do Brasil, nos colocando em situação privilegiada para enfrentar tempos difíceis. Segundo dados do Itau BBA, a dívida total dos 23 maiores clubes do Brasil chegou a R$ 4,5 bilhões em 2014, o que representou um aumento de 22,8% em relação a 2013.

Ao mesmo tempo, vimos uma retração de investimentos na ordem de R$ 23,5%. Já o Flamengo, graças a um aumento significativo que conseguimos nas receitas de marketing e um rigoroso controle de despesas que implementamos, obteve, em 2014, o maior lucro da história do futebol brasileiro, com R$ 64.311 milhões.

O Ebtida (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) subiu 37% entre 2013 e 2014, chegando a R$ 117 milhões. No ano passado, o Flamengo conseguiu o valor histórico de R$ 347 milhões de receita bruta, com 27% de crescimento em relação ao ano anterior e 64% acima do resultado de 2012.

O esforço financeiro que fizemos em nosso período de administração permitiu o pagamento de R$ 224 milhões em dívidas, sendo R$ 138 milhões do principal e R$ 86 milhões de juros líquidos, fazendo com que a dívida do clube caisse dos R$ 750 milhões de 2012 para R$ 577 milhões no final de 2014.

Ao nos desligarmos da atual administração do Flamengo para apoiar a candidatura de Wallim Vasconcelos nas eleições de dezembro, podemos afirmar que é possível mudar a forma de gerir o futebol brasileiro. Práticas do passado, ainda vigentes em vários clubes, precisam ser definitivamente descartadas.

É hora de profissionalizar ainda mais a gestão. É hora de se valorizar quem sabe administrar. Não se pode aceitar que instituições que fazem parte da paixão dos brasileiros, muitas delas com faturamento superior a R$ 200 milhões, sejam gerenciadas com aventuras e amadorismo. O trabalho que fizemos em nosso clube de coração é uma prova de que isso é possível. O Flamengo já andou um bom caminho. Não se pode permitir retrocesso algum.

O momento exige cada vez mais de seus dirigentes esportivos: experiência, articulação empresarial e capacidade de execução comprovadas. Só assim o futebol brasileiro conseguirá retornar a liderança que nunca deveria ter perdido.

RODOLFO LANDIM, é presidente da Ouro Preto Óleo e Gás.

RODRIGO TOSTES, é diretor executivo de operações do Comitê Organizador da Olimpíada Rio-2016.

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